Ordem dos Templários

A Verdadeira História dos Templários
São realmente os Templários os precursores da Franco-Maçonaria? Esta pesquisa traz fatos e lendas que mostram esta possibilidade e coloca a nossa Ordem como a continuadora da tríplice templária.
A história dos Templários começa forçosamente com uma análise das Cruzadas, aquelas excursões militares apresentadas com objetivos essencialmente religioso, mas que, na verdade, procurava estabelecer uma rota comercial segura para o Oriente Médio com bases ocidentais, que garantisse o fornecimento permanente dos produtos orientais para um mercado europeu sempre crescente. Os mercadores de Veneza tinham criado um centro comercial que durante séculos liderou os demais centros europeus. No início, ele eram pescadores, mas logo depois começaram a comercializar seu sal, indo com o produto até o Islã e Bizâncio, onde intercambiavam madeiras, armas e escravos pelos produtos orientais, que revendiam na Europa com excelentes lucros. Mas as dificuldades que estes audaciosos mercadores enfrentavam eram muitas, incluindo os piratas que infestavam o Mediterrâneo e o fato de não contarem com depósitos e postos de abastecimentos no Oriente.
Foi fácil para os mercadores incentivar as expedições militares, explorando as desventuras por que passavam os fiéis, que desde o século IV peregrinavam a Jerusalém. No século VII, Roma tinha estabelecido as peregrinações entre as penitências canônicas, aumentando o afluxo de peregrinos, especialmente europeus. Surge mais um problema com o aumento da agressividade dos turcos seldjúquidas que chegam em 1095, com grande ameaça, até as portas de Constantinopla.
A Europa começou a levar muito a sério a criação de uma expedição punitiva e recuperadora dos Santos Lugares, que recebeu o nome da I Cruzada. Em fins do século XI, o Papa Urbano II dirigiu-se ao sul da França onde estava reunido o Concílio de Clermont, lançando veemente apelo aos cristãos presentes (ano 1095) que fanaticamente juraram colocar suas armas e suas vidas a serviço da Igreja na luta contra os infiéis, com o grito de guerra "Deus o quer". Entre os anos 1096 e 1270 houve oito Cruzadas oficiais e no decorrer delas o mundo Ocidental percebeu que era necessário criar grupo paramilitares para receber funções paralelas, tais como policiamento, preservação da fé religiosa (aliás muito importante), atendimento médico, organização jurídica das terras conquistadas etc.
A maior parte dos seus membros pertenciam à nobreza, devido a lei de primogenitura.
Colhidos pelo profundo fervor religioso que percorreu a Europa toda, muitos nobres alistaram-se em grupos, unidos no início por laços de fidelidade, para desenvolver tarefas de caridade, e, posteriormente, formaram-se como ordens militares com forte espírito religioso e que tinham seus próprios Estatutos e recursos financeiros, produtos este de doações recolhidas de seus próprios membros ou de peregrinos, monarcas ou mercadores agradecidos pela proteção recebida, ou ainda de bens conquistados no campo de batalha. Com o tempo, estas Ordens converteram-se em grupos poderosos, tanto econômico, como militares e políticos. As Ordens tinham várias características comuns, que é interessante analisar: - Militar-religioso: Participando de uma campanha bélica com as Cruzadas, estas Ordens eram formadas de militares com forte espírito religiosos; Nobres: A maior e mais importante parte era composta de membros que pertenciam à nobreza, devido a que naquela época, a herança era regida pelo direito da primogenitura, que cedia ao primeiro filho a totalidade dos bens como legítimo e único sucessor, fazendo com que muitos nobres ficassem sem terras por não serem primogênitos. Como as Cruzadas davam a oportunidade de conquistar terras, esses nobres deserdados tornaram-se combatentes, unindo-se ao exército ou às Ordens; Espírito cavalheiresco: Muitos quiseram imitar as aventuras e façanhas que os combatentes de origem nobre tiveram na luta em favor da fé e do Oriente, relatadas e exageradas pelos poetas populares; Reconhecimento Papal: Para fortalecer este apoio militar, necessário para o sucesso das Cruzadas, e manter o controle destas organizações, a Santa Sé estabeleceu o reconhecimento destas Ordens mediante um Concílio onde era apresentado um Regimento ou Regra, normalmente preparado por um pensador religioso que passava a ser o Patrono da Ordem.
As Ordens assim formadas foram muitas, sendo a primeira a Ordem dos Hospitaleiros, fundada em 1113 e organizada conforma a Regra de Santo Agostinho. Posteriormente foram organizadas as Ordens dos Cavalheiros Teutônicos, dos Cavalheiros de Alcântara, de São João de Jerusalém, de Calatrava, de Avis, a Ordem dos Templários etc. A atuação delas foi diferente se comparadas entre si, mas todas situavam-se no contexto religioso-militar e contribuíram para criar as melhores tradições da cavalaria medieval.
Agora podemos entrar na história dos Templários, a história verdadeira, com seus rituais de iniciação, seus símbolos, seus tesouros desaparecidos e a sua verdadeira missão em benefício da humanidade, que fez o historiador Vitor Michelet afirmar no seu livro "Segredos da Cavalaria", que a queda da Ordem dos Templários fora o maior cataclisma da civilização do Ocidente.

Entre os nove cavaleiros, estava o trio de São Bernardo, santo que foi uma das inteligências da Igreja

Vamos começar. Estamos em 1118. Na frança, Luiz O Gordo reinava desde 1108 e Henrique I, na Inglaterra, desde 1106. A Península Ibérica tinha sido invadida pelos Almorávidas, que já eram donos de Sevilha e Saragoça, a I Cruzada do Papa Urbano II tinha criado os Estados Latinos no Oriente.
Hughes de Payns, cavaleiro francês, nascido aproximadamente em 1080, participante da I Cruzada, onde conhecera Godefroy de Bouillon, desenvolve a idéia "humanitária" de cuidar da via de peregrinação que ia de Jafa à Jerusalém. Vejam que coincidência: entre tantas áreas que precisavam de apoio militar, ele escolhe aquela que permitir-lhe-á ficar ao lado do Templo de Salomão. Hughes de Payns viaja até Jerusalém acompanhado de oito cavaleiros, apresenta-se ao Rei Balduíno II, primo de Godofredo de Bouillon, que aceita seu projeto e cede-lhes uma construção que servia de mesquita, encostada o Templo; por este motivo eles passaram a ser conhecidos como os Cavaleiros do Templo, em que pese tivessem solicitado seu reconhecimento oficial sob o nome de "Milícia de Cristo". Muitos historiadores têm especulado sobre os verdadeiros motivos tidos por Hughes de Payns e os oito cavaleiros de viajarem à Terra Santa; analisando justamente estes nove cavaleiros, descobriu-se um tio de São Bernardo, santo que foi uma das inteligências da Igreja; do grupo participava também Hughes de Champagne, outro nobre, que, após uma primeira viagem, entrou em contato com um abade que dedicou-se, a partir desse momento, ao estudo de textos sacros hebraicos; Hughes de Champagne retorna à Terra Santa e quando volta, constrói a Abadia de Clairvaux para o seu amigo abade, acompanhado de doze monges, continue o estudo do hebraico antigo.
Desde 1119 até 1128, Balduíno II enfrentou uma pressão militar terrível da parte de seus inimigos, egípcios, turcos, coalisões muçulmanas etc., enquanro os nove cavaleiros destinados a proteger a estrada peregrina, permaneciam dentro do Templo, aparentemente sem atividade militar nenhuma. Ou será que eles, durante os noves longos anos, procuravam alguma coisa de muita importância para eles?

É de supor que eles procuravam o Santo Graal ou mesmo a Arca da Aliança com as Tábuas da Lei

Será que eles eram um dos tantos que através dos tempos procuravam o Santo Graal, aquele cálice sagrado que a lenda nos fala e que já esteve nas mãos de Abraão, Melquisedec, Moisés, a Rainha de Sabá, o Rei Salomão, Jesus que o usou na Última Ceia, José de Arimatéia, que recolheu nele o sangue de Jesus na Cruz ? Segundo algumas lendas e tradições, o verdadeiro objetivo dos Templários seria a procura do Santo Graal. Ou será que eles procuravam a Arca da Aliança com as Tábuas da Lei, as mesmas que Moisés recebera de Deus quando liderou seu povo na fuga da prisão do Egito ? Segundo alguns autores as Tábuas da Lei eram, na verdade, um conjunto de livros da mais alta sabedoria, escrito em hebraico antigo, em poder dos sacerdotes egípcios, e que Moisés apropriou-se deles para servir de guia no desenvolvimento de seu povo. Justificar-se-ia, então, o estudo dessa língua morta por parte de Hughes de Chamapagne e seu grupo de monges. E essa seria a Primeira Grande Missão dos Templários: reencontrar o Santo Graal ou a Arca da Aliança como representação de algo que estava perdido e deveria ser recuperado: o símbolo da eterna procura da Verdade, da Sabedoria, do Conhecimento e da Perfeição por parte do Homem.
Em 1128 é celebrado o Concílio de Troyes, citado exclusivamente para conhecer e aprovar a Ordem dos Templários, que iriam seguir a Regra preparada por São Bernardo. Estas regras eram um conjunto de deveres militar-religiosos, muitos rigorosos e que mencionavam muito o número 3, número considerado cabalístico pelos Templários. Tanto a divisa "Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo ad Gloriam". ( Não por nós, Senhor, não por nós, mas para que teu nome tenha a glória) como o primeiro parágrafo "Tu, que tendes renunciado as coisas mundanas", mostram desde o início a entrega total dos Cavaleiros à Ordem. Antes de pronunciar os votos, os cavaleiros deviam observar um noviciado e somente a partir do pronunciamento dos votos é que podiam ser considerados religiosos: "Aos cavaleiros impõem-se o hábito branco, cabelos rasos e conservar a barba; os oficiais inferiores e escudeiros deviam usar manto preto, sendo obrigatório a simplicidade no vestir; deviam ser pronunciados os votos de castidade, pobreza e obediência, e a assistência aos ofícios religiosos de dia e de noite era obrigatório".
É interessante prestar atenção a estes votos e as regras de tipo religioso, à que os Templários cumpriam rigorosamente, pois uma das acusações feita contra eles foi justamente a heresia.

As "Regras" dos Templários eram rigorosas e eliminavam as diferenças das classes sociais

Continuemos vendo estas regras: "Deviam recitar 15 Pater de manhã e comer magro 4 dias por semana; ao morrer um Templário, cada membro da Ordem devia dizer 100 Pater por dia e durante 7 dias, e o quinhão que correspondia ao defunto em vida, era repartido aos pobres durante 40 dias. Comungavam 3 vezes no ano, ouviam missa 3 vezes na semana; a caça era-lhes proibida; a principal dignidade era de Grão-Mestre, que tinha honras de Príncipe entre os Reis; depois vinham os preceptores e Grãos-Priores, logo os Visitadores e, em 4º lugar de hierarquia estavam os Comendadores; a luxúria era condenada; para receber um novo cavaleiro reunia-se o Capítulo, que era formado pelos altos dignatários e capitães de certo nível; a cerimônia tinha lugar à noite e na Igreja. O recipiendário era interrogado três vezes antes de ser introduzido no Templo e pedia três vezes pão e água e a fraternidade da Ordem; os cavaleiros observavam três grandes jejuns; a esmola era feita em todas as casas da Ordem três vezes na semana; o cavaleiro tinha três cavalos; comiam três vezes carnes na semana e nos dias em que não a comiam podiam optar por três pratos diferentes; adoravam a cruz solenemente três vezes por ano; juravam não fugir na presença de três inimigos; se lutassem para defender a vida contra outros não hereges, só deviam ripostar depois de três vezes atacados. Flagelavam no Capítulo, aqueles que tinham merecido esta correção; os cavaleiros em combate jamais podiam pedir clemência, não podiam pagar resgate quando feitos prisioneiros; em virtude disso os Templários caídos prisioneiros, inclusive Grão-Mestres, foram quase sempre executados; ninguém podia dispor dos bens da Ordem sem o voto do capítulo; os cavaleiros deviam estar sempre dispostos a dar a vida pelos seus irmãos; os irmãos são iguais entre eles e não deve ser levada em consideração nenhuma diferença entre as pessoas. A Ordem eliminava as diferenças entre as classes sociais, seguindo fielmente a doutrina do "Nazareno".
Sendo aprovadas estas Regras pelo Concílio de Troyes, estava oficialmente reconhecida e formada a Ordem dos Templários. Como acabamos de ver, as Regras eram rigorosas, exigiam sacrifícios dos cavaleiros que eram obrigados a deixar de lado os prazeres mundanos, as mordomias as vida na corte, a prática da caça, separavam-se das famílias, doavam suas riquezas, tudo com a promessa de um único prêmio: a salvação eterna. E tem mais: muitos cavaleiros sendo ricos nas suas terras, na Ordem passavam a ser pobres; eles nada possuíam, a Ordem que era rica.
E como é que se explica que a Ordem tenha mantido por quase 200 anos um espírito de união tão forte, com um comportamento exemplar de seus membros, todos estreitamente unidos por um objetivo único ? Existia uma Regra Secreta, com mandamentos desconhecidos até hoje ?

Só na França, os Templários acumularam cerca de 1.000 Comendadorias e inumeráveis granjas e solares

Em 1130 Hughes de Payns entra outra vez na Palestina, já como Grão-Mestre, com o exército por ele recrutado e estabelece na casa vizinha ao Templo de Salomão, a Casa dirigente da nova Ordem. Na França permanece Payen de Montdidier como Mestre, iniciando-se assim a fase operativa. No Oriente e na Europa a espada Templária acod em defesa do fraco, assim como a esmola templária ajuda aos pobres. O exército, disciplinado e muito bem treinado nunca recusa um combate. Um detalhe: 5 dos 22 Grão-Mestres morreram em combate e outro morreu prisioneiro, pois recusou-se a pagar resgate.
A parte material também foi um sucesso. As doações deixam a Ordem rica, doações, que, curiosamente, começam antes de 1138, o que faz os historiadores imaginar que a Ordem, com seus objetivos, já existia secretamente bem antes da data oficial. Em 1270, os Templários já tinham acumulado, só na França, cerca de 1000 comendadorias e inumeráveis granjas e solares. No reino de Valença, Espanha, os Templários eram donos de 17 praças fortes. Inclusive o Rei de Aragão pretendeu dividir todo seu reino entre os Templários e os Hospitaleiros, no que foi impedido pelo clero, nobreza e povo. A Rainha de Portugal daria à Ordem, em 1128, o Castelo e a mercé de Saure, à margem do Mondege. As propriedades da Ordem estavam em toda Europa, mas a principal concentração está na frança, país onde a Ordem tem a sua máxima importância. Na Terra Santa, Palestina, Antioquia, Trípoli, Saint Jean D’Acre, etc, também mantinham comendadorias. Na Espanha e Portugal eles tinham conquistado fortaleza dos muçulmanos e construído outras em pontos estratégicos, criando uma linha de defesa na costa mediterrânea contra os corsários, especialmente em Provença em em Catalunha.
Os ingressos de dinheiro auferidos pela Ordem não cessam de crescer. Eles vêm da aluguéis de casas particulares (diz-se que em Paris a Ordem era dona de bairros inteiros), de dízimos, venda de produtos agrícolas cultivados nas suas inúmeras granjas, dinheiro recolhido pela igreja da Ordem etc.

Alguma razão secreta deve ter existido para explicar a construção de um porto próprio e uma rede de estradas que cruzavam a França

Para facilitar a comunicação entre todas as comendadorias, fortalezas, portos (os Templários possuíam uma bem abastecida marina) etc., os Templários construíram especialmente na França uma rede de bem cuidadas estradas, que beneficiou o desenvolvimento de todas as atividades econômicas do país. À qualidade da estrada, unia-se a segurança dada pelos Templários especialmente nas proximidades de suas propriedades e assim os viajantes viam-se livres de salteadores. O curioso, observando um mapa destas estradas desembocam publicadas no livro Os mistérios Templários, de Louis Charpentier, que seis grandes estradas desembocam ou partem de La Rochelle e distribuem-se pela França inteira. Curioso porque La Rochelle não existia como porto oficialmente reconhecido naquela época e nem sequer como cidade, mas os Templários tinham ali uma casa provincial que dirigia suas atividades nessa parte da costa atlântica. Temos falado que os Templários possuíam uma frota poderosa, cuja atividade militar concentrava-se no Mediterrâneo e por tanto as bases poderiam ser em Valença ou em Barcelona. Então, porque La Rochelle? Porque um sistema viário tão importante a partir de La Bochelle?
Alguma razão secreta deve ter existido que justificasse este investimento de porto e estradas; só que nenhuma prova ficou e na falta de provas, os historiadores iniciam suas especulações unindo fatos aparentemente isolados. Quando nasceu a Ordem dos Templários, a prata quase que não existia; as moedas eram feitas de ouro e bronze. No fim da Idade Média, a moeda de prata passa a ser de uso corrente. De onde saiu essa prata ? A Europa tinha umas poucas minas de prata na Alemanha, mas que ainda não estavam sendo exploradas. As minas de prata estão na América, que ainda não tinha sido "descoberta" por Cristovão Colombo. No Oriente, a prata era mais apreciada que o ouro. Unamos agora estes fatos com algumas suposições. Os Templários conheciam o valor da prata no Oriente. Eles sabiam ou descobriram que na América existia prata em abundância. É fato demais conhecido que marinheiros normandos navegavam até a América bem antes de Colombo. Então já temos uma grande hipótese. Os Templários montam uma frota, constroem um porto em um local desabitado, a coberto de olhares intrusos, dotam-no de estradas e começam a trazer a prata da América, que compete com o outro, para criar um novo padrão financeiro sob seu controle que iria reforçar o sistema bancário também montado por eles para facilitar transações comerciais e outros empreendimentos dentro da Europa. Sim, exatamente, um sistema bancário. E no que consistia ? Em um sistema simples, mas não tanto para a época. Como cada comendadoria possuía ouro e dinheiro em quantidade, a Ordem começou a fazer o papel de Banco Nacional, oferecendo aos comerciantes as vantagens de uma "letra de câmbio" e evitando o transporte de dinheiro tão exposto a perigos. Esta função bancária também incluía empréstimos de grandes somas para diferentes projetos particulares e até da Igreja; também o governo central da nação utilizou os serviços bancários da Ordem para recolhimento de impostos reais em determinadas regiões.

Artesãos, construtores e outros ofícios se instalavam em terras templárias. Trabalhando livremente sem sofrer taxas
Existem autores que indicam que o papel desempenhado pelos Templários era unicamente o de Tesoureriro, Caixa e, ao mesmo tempo, garantia para empréstimos dos particulares; tratar aos Templários com banqueiros seria um erro, mas o que vimos nos parágrafos anteriores indica que eles foram mesmo os banqueiros e dos mais importantes.
O poder central dos Templários também desenvolveu atividades tendentes a criar ou agilizar o progresso econômico; entre elas podemos citar; Vias de comunicação; proteção aos viajantes e ao transporte de produção que sofria permanentemente a ação dos salteadores; supressão de cobrança de "pedágio", imposto pelos senhores feudais, liberando desse pagamento a quem usasse as pontes e estradas templárias; desenvolvimento de culturas, especialmente trigo a cevada, para diminuir a fome que na época dizimava as populações mais carentes. O número de comendadorias só na França era da ordem de 2.000; cada granja possuía em média 1.000 hectares de terra cultivável, com seus servos, própria do sistema feudal, mas que aos poucos os Templários foram libertando e transformando em locatários com mais direitos; convite a artesãos, construtores e outros ofícios para se instalarem em terras templárias, onde poderiam trabalhar livremente sem sofrer taxas.
Como é fácil ver, estas medidas tiveram como resultado uma liberação do comércio da tutela do governo estabelecido, mas dependendo de modo indireto da Ordem. Alguns historiadores argumentam que não foi a cobiça que fez o Rei Filipe o Belo destruir a Ordem dos Templários. O objetivo social da Ordem que visava organizar uma nova sociedade na qual todos seriam iguais, trabalhando com segurança, vivendo em paz e prosperidade, o que era considerada como a Segunda Grande Missão da Ordem, colocava em grave perigo aos dois poderes que governavam sem oposição e dentro do maior absolutismo: a Monarquia e o Papado. O Rei havia tomado conhecimento do atrevido plano e só pensou em destruí-lo

Fugindo da perseguição francesa, os Templários se dirigem para a Escócia, justamente quando aparece a palavra "freemason"

Os Templários, na construção de fortalezas militares, tiveram ensinamentos dos bizantinos e com essa experiência, unida às máquinas de guerra que permitiam-lhe movimentar grandes pedras, dedicaram-se a construir catedrais, muitas das quais permanecem até hoje. São, por isso, considerados por alguns autores como precursores das associações de pedreiros que por aí buscam a Franco-Maçonaria; lembremos, para reforçar esta teoria, que a palavra freemason é de origem francesa que apareceu entre os anos 1376 e 1396, e que, nessa época, chegaram a Escócia os Templários, fugindo da perseguição francesa e ocultaram sua identidade atuando como pedreiros.
Entre 1146 e 1272 são construídas na França uma infinidade de catedrais e, entre elas, 25 de grande porte, o que significa haver tido várias comunidades de construtores em ação. Aproximadamente, a França tinha nos inícios do século XIII, uns 10 milhões de habitantes, uma população reduzida, esfomeada, participando das Cruzadas e guerras regionais, que tinha uma quantidade impressionante de profissionais construtores. Estes profissionais devem ter sido formados por alguém e alguém tinha que desenvolver novos projetos, coordenar as obras em andamento, financiar salários, materiais e custos em geral, que demanda a construção de uma catedral. Os nobres e a Igreja estavam empobrecidos após o fracasso das Cruzadas, e os tempos que a Europa vivia eram os piores que a história conheceu. Quem, então, gastou enormes recursos para a construção de tantas catedrais? Podemos falar então da Terceira Grande Missão da Ordem dos Templários: a construção dos Templos.
E agora entremos no capítulo final da história dos Templários: o processo. Os personagens principais desta fase histórica são três: O Rei Filipe IV, chamado de o Belo, o Papa Clemente V e o 22º Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Jacques deMolay. Filipe o Belo nasceu em 1273 e aos 17 anos subiu ao trono da França. Ele, no apogeu dos Capetos, deu prosseguimento à tradicional política de ampliação dos domínios reais e a centralização do poder monárquico, entrando em choque com as teses da supremacia internacional do Papado, pretendendo inclusive a cobrança de impostos do clero francês, ao que o Papa Bonifácio VIII se opôs energicamente. O estopim deste conflito foi a prisão, ordenada por Filipe, do Bispo de Painers. Evidente que o Papa optou pela defesa do Bispo e solicitou ao Rei sua imediata liberação, sob ameaça de excomunhão.

As excomunhões geraram atrito entre o Rei da França e o Papa, surgindo conflitos e assassinatos

A excomunhão na época era uma pena gravíssima e mais ainda em tratando-se de um Rei, supostamente de caráter divino, pois a excomungado era excluído da comunidade cristã, sem nenhum direito, o que significava que os seus vassalos, no caso do Rei, não eram obrigados a prestar-lhe obediência. Em 1302, Filipe o Belo convocou os Estados Gerais, e os conselhos jurídicos recomendaram-lhe a acusar o Papa de heresia. Em 1303, em um ato verdadeiramente audacioso, o Rei enviou um grupo armado ao Palácio de Anagni, Florença, e retiveram o Papa prisioneiro durante três dias, até que a burguesia de Florença reagiu indignada, liberando o Papa Bonifácio VIII, para a sua melhor segurança retornou a Roma, mas seus 86 anos de idade não resistiram tantas emoções desagradáveis e veio a falecer trinta dias depois.
Foi eleito então pela Cúria Romana, Bento IX, que manteve uma atitude intransigente contra Filipe o Belo, ampliando a excomunhão dos assessores jurídicos do Rei. Mas, misteriosamente, Bento IX, morreu envenenado com figos após oito meses e meio de Papado. Na época, muitas personalidades foram acusadas da morte do Papa e, como era lógico supor, também Filipe o Belo foi acusado, mas não com muita convicção. A própria Igreja não se pronunciou e também não desenvolveu processo investigatório.
Para a escolha do novo Papa a coisa complicou-se, pois o colégio de Cardeais, reunindo em Perusa, dividiu-se em dois grupos, um a favor e outro contra a França, sem chegar a resultado nenhum. Após nove meses chegou-se a uma solução: um partido escolheria o futuro Papa de uma lista de três nomes, a ser apresentada pelo outro partido. A escolha correspondeu ao partido francês, que era dirigido, evidentemente pelo Rei. O partido, que podemos chamar de italiano, apresentou uma lista de três nomes que incluía o do Arcebispo de Bordeus, Bertrand de Gott Villadrant, Casconha, França. Este era débil de caráter e fácil de ser manipulado. Antes da eleição, foi chamado a uma reunião com o Rei, onde este condicionou a sua escolha à concessão de seis graças especiais: 1a. - Reconciliação da Igreja com o Rei da França; 2a. - Perdoar o erro cometido na pessoa do Papa Bonifácio VIII; 3a. - Ceder ao Rei da França os dízimos cobrados pela Igreja durante 5 anos; 4a. - Destruir e anular a memória do Papa Bonifácio; 5a. - Restituir a dignidade de Cardeal a dois amigos do Rei e fazer cardeais a outros amigo dele; 6a. - A sexta graça o Rei deixou para ser comunicada quando a ocasião fosse propícia.
Levado pela ambição, Bertrand de Gott concordou em tudo e foi eleito Papa. Sua primeira prova de submissão ao Rei foi quando, contra a vontade da maioria dos cardeais, permaneceu na França, sendo coroado cinco meses depois como Clemente V, fixando sua residência em Avignon.

O povo se revoltou contra o Rei, que escapou e foi escondido pelos Templários na Câmara Secreta do Templo de Paris

A situação do reino da França piorava cada vez mais, estando o povo cansado dos abusivos impostos. Nesse momento, os funcionários encarregados das finanças do Reino, promulgaram uma nova ordenança, pela qual era criada uma nova moeda, reduzindo a moeda existente a metade do seu valor. O povo revoltou--se, dirigindo-se à residência do Rei, que teve que escapar, sendo escondido pelos Templários na câmara secreta do Templo em Paris, onde era guardada parte importante das riquezas da Ordem. Podemos imaginar os pensamentos que passaram pela mente do Rei naqueles momentos em que ele ficou contemplando aquelas riquezas. Para acalmar o povo foi deixado sem efeito a desvalorização da moeda, podendo assim o Rei voltar ao seu Palácio onde, em segurança, resolveu cobrar do Papa a sexta graça. Obediente, o Papa mandou chamar a sua presença o 22o. Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Jacques de Molay. Jacques de Molay tinha nascido entre 1240 e 1243 em Beçanson, França, de família nobre, tendo ingressado na Ordem em 1265; foi enviado à Palestina onde esteve sob as ordens do Grão-Mestre Guilherme de Beuajen. Com a morte deste, em 1298, foi eleito Grão-Mestre por unanimidade.
O motivo dado pelo Papa da chamada de Jacques de Molay, era para ouvir a sua opinião sobre uma nova Cruzada e a possibilidade de unir as duas grandes Ordens: os Templários e os Hospitaleiros de São João.
Houve grande discussão no Capítulo. A Terra Santa já estava definitivamente perdida para o Ocidente e, como temos visto, este não era um dos objetivos dos Templários, ao menos assim parecia ser. Na França localizava-se o centro principal de operações da Ordem e o Capítulo suspeitava que a viagem poderia trazer grandes perigos para o Ordem. Mas sendo o Grão-Mestre subordinado hierarquicamente ao Papa, uma recusa de obedecer significaria um ato fortemente rebelde. Decide-se finalmente pela viagem. E é assim que a inícios de 1307, Jacques de Molay viaja acompanhado de 220 cavaleiros, transportando todo o tesouro que a Ordem possuía no Oriente, estimado em 150.000 peças de ouro e grande quantidade de prata, levadas ao lombo de 10 mulas. Este dinheiro foi utilizado na compra de grande extensão de terras na mesma França.

Jacques de Molay nega-se a admitir na Ordem o filho do Rei Filipe o Belo

Jacques de Molay e seus dignitários foram recebidos com grande pompa pelo Rei Filipe o Belo. O Rei, conhecendo o poder de sua futura vítima, procurou algum tipo de aliança com Jacques. Nomeou-o padrinho de um dos seus filhos e propôs-lhe o ingresso de outro na Ordem dos Templários. Evidentemente que este novo membro da Ordem, em razão de sua linhagem real, deveria ser a curto prazo o novo Grão-Mestre da Ordem. Jacques de Molay recusou gentilmente mas com firmeza. Nesse ínterim, o Rei, sempre com cobiça, conseguiu de parte de Jacques de Molay um suculento dote para sua filha Isabel, que estava pronta para casar-se.
Nas suas entrevistas com o Papa, Jacques de Molay recusou a fusão com os Hospitaleiros, porque percebeu que a nova Ordem ficaria sob o comando do filho do Rei. A fusão também não era interessante porque poderia afastar os Templários daquela tríplice missão da qual já temos falado. Diante da recusa de Jacques de Molay, o Rei fez espalhar horríveis calúnias sobre os Templários, que estarreceram a mentalidade simples do povo. Em 14 de setembro de 1307 o Rei decreta a prisão de todos os Templários dentro de seu reino e o embargo de todos os seus bens.
As acusações contra os Templários foram as seguintes: no momento da iniciação, os Templários deviam renegar a Cristo, à Virgem Maria e a todos os Santos; deviam cuspir na crus; não acreditavam no Sacramento da Igreja e os Padres da Ordem omitiam as palavras de consagração na missa; acreditaram que os Grãos-Mestres, os Visitadores e os Preceptores, ainda leigos, tinham o poder de absolvê-los dos pecados; praticavam a sodomia entre eles; na iniciação recebiam beijos na boca, no umbigo, no ventre nu, no ânus e na espinha dorsal; tinham ídolos de diversas formas de cabeças, incluindo caveiras humanas.

O Rei envolveu a Santa Inquisição para julgar e obter confissões que os comprometessem, sob tortura

O processo, inicialmente desenvolvido pelo Rei da França, atingiu a todos os Templários como pessoas, pois os Templários, como Ordem, dependiam exclusivamente do Papa que, débil de caráter, ainda não decidira dar início oficial a tanta ignomínia. Mas o objetivo principal do Rei era a Ordem mesmo, para poder apropriar-se de todos os bens, ao menos na França. Daí que decidiu envolver a Santa Inquisição no processo através de Guilherme de Paris, Inquisidor da Fé desde 1303 e, coincidentemente, confessor do Rei desde 1305, para que ela, julgando os Templários individualmente, obtivesse confissões mediante tortura que envolvessem à Ordem de tal maneira que, quando o Papa decidisse iniciar o julgamento contra a Ordem, estivesse tudo preparado.
Por que envolver a Inquisição? A inquisição desejava o controle absoluto da Igreja, e a Ordem dos Templários, com seu poder econômico e militar, era um sério tropeço que seria bom eliminar.
Temos, pois, o Rei apetecendo as riquezas dos Templários, a Inquisição desejando eliminar um sério obstáculo para reforçar sua hegemonia dentro da Igreja e um Papa pusilânime, subjugado ao Rei.
Um fato curioso, que tem provocado o interesse dos historiadores, é a passividade dos Templários em se deixarem prender pelas forças do Rei. Naquela época, os Templários deviam ter na França 3.000 cavaleiros combatentes de primeira linha, infinitamente superior aos militares do Rei; fora deles, tinham os escudeiros que se vestiam de preto e os servidores e funcionários, que se bem não fossem combatentes, serviriam no caso como apoio e para cuidar das instalações.
Acontece que os Templários juravam lutar contra os inimigos da fé que, tradicionalmente, eram de outra raça; a Regra proibia-lhes combater contra cristãos, somente podiam reagir quando três vezes atacados e, em caso de conflito, a declaração ou ordem de lutar somente podiam vir do Grão-Mestre. Estando ele preso, os Templários, com uma disciplina pouco comum, somente limitaram-se a obedecer as Regras que tinham jurado.
E agora entremos na análise das acusações, pois ela mostrará que os Templários possuíam conhecimentos esotéricos muito avançados que chocavam e chocam o dogma, especialmente pessoas fanáticas ou de mentalidade simples.

Os Templários não manifestavam entusiasmo por Jesus o que era considerado grande heresia pelo Papa

A existência de Jesus da Nazareth, o Cristo da religião católica, e sua crucificação da forma como tem sido transmitida pela Igreja, tem sido questionada por diversos setores. Na Terra Santa não existia, até a Idade Média, com nome de Nazareth e sim uma comunidade essênica na Galiléia que tinha aquele nome, e a Igreja tem procurado ocultar a origem de Jesus como essênio. O amor fraternal apregoado por Jesus é um dos alicerces principais de sua doutrina mas, nos Evangelhos, lemos expressões de um Cristo violento, vingativo, intolerante, fanático etc. (Aquele que não está comigo, está contra mim... Desgraças a ti, Corazaim. Desgraça a ti, Bethsaida... Trazei aqui meus inimigos que não me quiseram como Rei e matai-os em minha presença (Lucas XIX, 27) ... Se a tua mão é um objeto de escândalo, corta tua mão... Olho por olho, dente por dente... Eu vim para pôr a divisão entre o filho e o pai... Deus deu esta ordem: honra teu pai e tua mãe e aquele que amaldiçoar seu pai seja punido. Louis Charpentier, no seu livro Os mistérios Templários e Edmond Bordeaux Szekely e, A origem essênica do Cristianismo (1927), lançam a possibilidade de haver nas Escrituras um guerrilheiro e um Mestre. O guerrilheiro pode ser o filho mais velho de José, que deseja recuperar o trono de David, sua herança, e foi crucificado pelos romanos. O Mestre pode ser um essênio, supliciado, mas não morto pelos judeus. O descobrimento dos Rolos do Mar Morto em março de 1947, junto com o esclarecimento de alguns pontos da existência dos essênios, complicou outros, especialmente aqueles relacionados com Jesus e a Sagrada Família e seu relacionamento com os essênios. Lembremos que os Templários em muitos se assemelhavam com aos essênios: só moravam homens na comunidade, usavam o branco como vestimenta, todos os bens eram comunitários, individualmente nada possuíam obedeciam rigorosamente a hierarquia etc.
Os Templários consideravam-se fiéis cristãos, reverenciavam a Cristo, mas, aparentemente, não manifestavam o mesmo entusiasmo por Jesus, o que evidentemente naquela época era uma heresia.
Vejamos agora a acusação de cuspir na cruz: no mundo antigo a cruz era instrumento de tortura usado para castigar escravos e indivíduos de classes inferiores. Desde aí que as religiões, tentando expressar a dor dos que sofrem, incluíram a cruz nas suas variadas formas para venerar os deuses pagãos. Mas o cristianismo demorou para adotar a cruz dentro de sua liturgia. O suplício na cruz era símbolo da derrota dos escravos rebeldes; existia um terror instintivo que afastava os fiéis da exaltação pública da cruz. E quando, aos poucos, a cruz foi aparecendo no cristianismo, os cristãos antigos foram apelidados de adoradores da cruz, evidente que de forma pejorativa. Somente no século V começava a ser admitida a imagem de Jesus crucificado. Mais uma argumentação: a cruz de madeira é matéria, diferente do espírito; a matéria morre, acaba, apodrece; o espírito é eterno. E era assim que os Templários entendiam-na; o parágrafo 13 do Título da Regra dos Templários indicava que o Recipiendário caminhará sobre a cruz mas, no parágrafo seguinte, explicava que não é a forma mas sim a essência que devemos reverenciar.
A acusação referente aos ídolos, os historiadores não tem conseguido aclamar totalmente. Sobre o crânio não existia dúvida e ele tinha dentre os Templários o mesmo significado que tem para os maçons, que não é outro senão o reconhecimento da Razão de que o Homem está dotado e se encontra contido dentro do crânio. Fora dos crânios houve outro tipos de cabeças de forma estranha achadas nas Casas dos Templários e que nenhum dos interrogados soube dar uma explicação certa, seja por ignorância, ou fingir ignorância, e os inquisidores, pelas razões não insistiram.

Os Templários conservavam conhecimentos dos hindus, introduzidos nos cerimoniais de iniciação

Vejamos agora os beijos em partes do corpo do Recipiendário, indecorosos conforme a Inquisição. Na parte mais baixa da espinha dorsal está localizado o Chakra Fundamental ou Básico; é a sede do Fogo Serpentino, a energia criadora em estado latente; o desenvolvimento deste centro proporciona domínio sobre os elementos da terra. Pela espinha dorsal do homem circula a medula espinhal, sendo a crença transmitida pelos hindus, que nela existe uma força vital do homem, independente de sua vitalidade animal: é a serpente Kundalini, dormente, mas que se for acordada, dirigir-se-á ao Chakra Fundamental ou Básico. Os Templários evidentemente de posse deste conhecimento iniciático, faziam o Mestre beijar o Recipiendário no local abaixo da espinha dorsal. Quanto aos beijos em outros lugares do corpo não existem informações dignas de crédito e pode ser que elas foram incorporadas nas acusações mais caluniosas. De toda maneira, aproveitamos este exemplo para lembrar o motivo principal pelo qual as Escolas Iniciáticas mantêm seus Rituais fora do alcance de profanos, pois eles, com sua ignorância, além de não entender, mistificam para o lado mais sujo estes procedimentos.
Quanto à acusação de sodomia, acreditamos que não vale a pena nos ocuparmos dela, já que não foi reconhecida por ninguém, nem ainda sob tortura, sendo, aparentemente, mais uma calúnia para aumentar dentro do povo a indignação dos Templários.

Em Paris, a inquisição foi violenta, torturando e queimando vivos os Templários, antes de qualquer interrogatório

As outras acusações englobavam-se no pecado de heresia, sendo de muita gravidade para os tempos que corriam, em que a Igreja era a dona das mentes e das almas e aqueles que manifestava-se contra a fé, sofria o castigo da excomunhão que significava o ostracismo dentro da sociedade. Mas acontece que poucas vezes tem-se visto tanta religiosidade e tanta fé dentro de um corpo militar como nos casos dos Templários. Conforme vimos, a Regra mantinha-os em contato permanente com a religião e tanto é assim que eles ainda no cativeiro pediam insistentemente assistir a missa e comungar. Lembremos que durante 200 anos eles lutaram e morreram (incluindo 5 Grandes Mestres) pela fé religiosa e, quando feitos prisioneiros, eles preferiam morrer a abjurar da sua fé. Quando a Ordem foi dissolvida, grande número de cavaleiros ingressou em diferentes conventos para continuar dentro de sua fé. Que classe de hereges são esses?
Acolhendo os conselhos do Rei, a Inquisição foi violenta com os Templários, encarcerando-os, torturando-os e queimando-os; 54 Templários foram queimados vivos em Paris antes de serem interrogados. O Papa Clemente V reforçou esta violência, exigindo por carta endereçada ao Rei de Chipre e aos Bispos de Famagusta, a aplicação das torturas. É bom esclarecer que em outros países a reação contra os Templários não foi tão desfavorável. Em 16 de outubro de 1311, reuniu-se em Viena um Concílio Geral para julgá-los e que deu em nada. Em Aragão e Portugal, eles foram autorizados a ingressar em outras Ordens se o desejassem; na Alemanha e na Itália, eles foram simplesmente absolvidos; na Inglaterra, eles foram detidos e submetidos a processo pelos Inquisidores, mas sem a amplitude e a violência da França. Em 21 de outubro de 1310 o Concílio de Salamanca absolveu os Templários de toda culpa. Vendo que o clima podia mudar a favor deles, em 1312, o Papa Clemente V emitiu a Bula Vox Clamantis extinguindo a Ordem e, no dia 2 de maio do mesmo ano, na Bula Ad Providas, que regulamentava a requisição de seus bens; esta Bula está cheia de contradições e demonstrando muito bem o caráter débil do Papa, pois assim como reconhece não estar em condições de emitir uma sentença jurídica, condena a Ordem a extinção perpétua.
Em 3 de março de 1314, o Grão-Mestre Jacques de Molay acompanhado de três Altos Visitadores, comparece no átrio de Notre Dame em Paris para ouvir a sentença que os condenará à detenção perpétua. Mas Jacques de Molay toma a palavra, retratando publicamente das confissões obtidas sob tortura e declarando a Regra do Templo, santa, justa e católica, sendo seguida nesta atitude por Geoffroy de Charnay. Diante de tamanha mostra de rebeldia e coragem contra o Rei e a Inquisição, a reação das autoridades francesas foi imediata: condena-os à fogueira, sendo executado nesta mesma tarde.

Jacques de Molay é queimado vivo e antes de morrer faz uma imprecação contra o Rei e o Papa :

Jacques de Molay, perante a fogueira, despiu-se totalmente de suas vestes de Grão-Mestre, ficando nu para simbolizar que era o ser humano Jacques de Molay que estava sendo queimado e não o Grã-Mestre da Ordem dos Templários, e fala-se que, nas suas últimas palavras, estabeleceu um prazo de 45 dias ao Papa e de um ano ao Rei para comparecerem ante o Tribunal de Deus. Em 20 de abril de 1314, quase 2 meses depois, em Roquemaure, o Papa Clemente V morria vítima de uma infeção intestinal e, no mesmo ano, em 29 de novembro, depois de oito meses, em Fontainebleau, O Rei morria de paralisia provocada por uma queda de cavalo. Curiosamente, conforme relata Louis Charpentier em seu livro Os mistérios Templários, base importante desse trabalho, Nogaret, assessor legal do Rei, e que dirigiu o processo contra a Ordem, morria misterio- samente em 1314 e quatro "delatores", que participaram do processo desde seu início, também morriam, apunhalados ou enforcados. O destino vira as costas para a França. Inicia-se a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, com muitas derrotas militares que deixam o país arrasado e a fome toma conta do povo francês. Entre 1348 e 1350, a Grande Peste, ou a Peste Negra, dizima uma parte importante da população. Muitas lendas surgiram após a morte de Jacques de Molay, incluída aquela que o cavaleiro D’Aumont e mais sete Templários tinham recolhido as cinzas do Grão-Mestre e fugido, disfarçados de pedreiros, até a Escócia. Nesse país, favorecidos pelas antigas relações da Ordem, tinham organizado uma Loja com dois Capítulos: um Exterior, para difundir o ideal religioso e social dos Templários, de forma que fosse acessível ao povo, e outro Interior, para vingar a Ordem da perseguição do Rei e do Papa, incluindo na vingança os Hospitaleiros e os Cavaleiros de Malta, beneficiados com a distribuição dos bens dos Templários. Segundo alguns autores, esta Ordem seria a origem dos Altos Graus Escoceses Maçônicos, se bem, é certo, não existe prova histórica desta afirmação. Na segunda metade do século XVII, as sociedades secretas multiplicaram-se na Europa. Inúmeras personagens circulavam pelo continente em serviços secretos, sendo um deles o famoso e misterioso José Balsamo, que fazia-se chamar Conde de Cagliostro. Quando Cagliostro foi iniciado na seita Os Iluminados, em Frankfurt, foi-lhe confiado um velho manuscrito chamado "Nossos Grandes Mestres os Templários". O mesmo Cagliostro tinha um signo secreto com as iniciais L P D (Liberdade Povo Dever), mas que tinha um significado oculto que lembrava a vingança ditada cinco séculos atrás contra os herdeiros de Filipe o Belo: Lilia Pedibus Destrue (Destruir a Flor de Lys).

A Maçonaria, continuadora da tríplice missão Templária, tem muito que fazer na reconstrução de um mundo ideal
Na Revolução Francesa também aparece a marca dos Templários. Discute-se que os nomes de Jacobinos deva-se a Jacques de Molay (Jacobus Molay) e não, como é conhecido comumente, homenagem ao pretendente Stuardo, ou a Igreja dos antigos religiosos jacobitas ou, as idéias sustentadas por J. J. Rousseau. Os Jacobinos denominaram sua Assembléia como Capítulos, usava-se três iniciais misteriosas J B M, que se prestavam as inúmeras interpretações, sendo que os seguidores Templários diziam que correspondiam às iniciais Jacobus Burgundus de Molay. Mais uma coincidência: a Assembléia tinha designado o Palácio de Luxemburgo como residência da família real, mas os jacobinos exigiram que o Rei ficasse prisioneiro no Templo, a fortaleza dos antigos cavaleiros templários.

A lenda fala de um homem de alta estatura e de longas barbas, perseguia e matava religiosos durante a Revolução gritando: "Esta é pelos Templários". O mesmo homem que subiu ao palanque da execução de Louis XVI e molhando as mãos no sangue do monarca guilhotinado agitou-as sobre o povo gritando: "Povo francês, eu te batizo em nome de Jacques e da Liberdade"; segundo outros haveria gritado: "Jacques de Molay, estás vingado".

Mas tanta violência por parte dos seguidores dos Templários, acabou, para a mentalidade do povo daquela época, convertendo em mártires ao Rei e ao Papa. Daí a necessidade de estudar e divulgar a verdadeira história dos Templários, nossos ascendentes, seus Mistérios, sua Missão, para que a verdade resplandeça com todo o seu brilho e que a vida e o sacrifício de Jacques de Molay perdure como um exemplo de fidelidade aos princípios.

Acabamos de recordar a vida, paixão e morte dos Cavaleiros Templários. Sete séculos e meio transcorreram e o mundo em muita coisa mudou, mas sabemos que sempre existirá a injustiça, a fome, o fanatismo, a ignorância. A Maçonaria, continuadora da tríplice missão templária, tem muito que fazer ainda na reconstrução do Templo ideal de um mundo melhor. Levantemos nossos emblemas e nossas espadas flamejantes e vamos em frente, sem nada temer, acompanhados da divisa eterna:

"Non Nobis Domine. Non Nobis, sed Nomini Tuo da Gloriam".

Bibliografia : Os Tribunais Secretos, Paulo Féval, Edição 1874, Lisboa, Tradução de Manuel Pinheiros Chagas; Os Mistérios Templários, Louis Charpentier, Edição 1978, Rio de Janeiro, Tradução de Rolando Roque da Silva; Enciclopédia Mirador, Revista A Verdade - março de 1992, setembro e outubro de 1987; Revistas Maçônicas do Chile - março 1941, novembro e dezembro 1968, setembro e outubro 1971, outubro 1965; Histórias das Sociedades, Rubim Santos Leão de Aquino, Denise de Azevedo Franco, Oscar Guilherme Pahl Campos Lopes, Edição 1987, Rio de Janeiro; História del Trabajo - Tomo II, Philipe Wolf e Frderic Mauro, Edição 1965, Barcelona.

O Julgamento dos Templários

A Ordem não foi extinta, continuando com sua existência jurídica aqui no Brasil
Em 1300, a Ordem dos Templários estava em seu apogeu, no que concerne a poderio econômico e temporal. Reinava em França, de 1285 à 1314, Felipe IV, chamado de "Felipe, o Belo", indivíduo inescrupuloso e amoral.
Vagando na Cátedra de São Pedro, Felipe usou toda a sua influência, conseguindo a eleição de seu protegido - Beltrand de Goth - que assumiu o nome de Clemente V. Com um Papa que era títere e a sede do papado em Avignon, (França) o Rei multiplicara seus poderes.
As riquezas da Ordem exerceram seu inquestionável fascínio em Felipe, que engendrou um plano para apossar-se dos haveres dos Templários. De inopino, Felipe, no dia 13 de outubro de 1307, mandou prender todos os Templários que se encontrassem em França: só em Paris foram presos cento e quarenta Cavaleiros. No dia 22 de novembro, Felipe consegue, do Papa, ordem de prisão para todos os Templários, de todos os países. Os Templários presos foram imediatamente submetidos a torturas; de 19 de outubro a 24 de novembro, cento e trinta e oito Cavaleiros foram torturados impiedosamente.
O historiador Marcel Lobet, escreve, em sua Historie Mystérieuse et Tragique des Templiers, à pag. 172: "a tortura foi empregada durante os interrogatórios e isso virá a ter grande importância para o que se seguirá. Com efeito, tendo os acusados confessado durante os tormentos, não ousaram, mais tarde, retrata-se pois, segundo o espírito da Idade Média, era gravíssimo negar uma culpa precedentemente confessada".

Sim, porque quem assim era considerado reincidente, pois, perseverare diabolicum... Em 1314, o Grão-Mestre Jacques de Molay e o Preceptor da Normandia, Geoffroy de Charnay são queimados, na Ilhota dos Judeus, no Rio Sena, em Paris.

Há um erro, que a maioria das Enciclopédias comete, já que uma copia a outra, sem se dar ao trabalho de realizar pesquisa histórica. O Papa não podia extinguir a Ordem das Templários. Não poderia, com uma Bula, extinguir uma pessoa jurídica de Direito Privado. Daí, fê-lo de forma indireta, ou seja, decretando a interdição aos cristãos e a excomunhão dos Templários, através da Bula Vox Clamantis. Assim, o interdito implicava, para os cristãos, a proibição de participar da Ordem e, àqueles que dela faziam parte, a excomunhão. Dessa forma, no mundo cristão, indiretamente, estaria a Ordem extinta; não pela Bula, que não tinha esse alcance, mas pelo esvaziamento do elemento humano.
O Eminente Desembargador Antonio Carlos Alves Braga do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e Professor Titular de Direito Civil da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em magistral trabalho apresentado na Primeira Convenção Nacional de Estudos Templários, analisou profundamente, sob o ponto de vista jurídico, a Bula Vox Clamantis. Diz Sua Excelência; "O Papa Clemente V reconhece na Bula, que não pode, de direito, extinguir a Ordem. Impõe, contudo, a interdição. Diz a Bula; "Cum eam super hoc secundum inquisitionem etprocesses super his habitos non possumos ferre de jure sed per viam provisionis seu ordinations apostolicae". Omissis, isto é, "A Bula, pois, deitou sobre os membros da comunidade Templária, pena de censura, atingindo individualmente seus integrantes que houvessem cometido algum atentado contra a Fé. Nada mais. Pena de censura não tem força extintiva".
E, continua Sua Excelência; "Ora, a existência jurídica da ordem dos Templários nada tem com o poder espiritual do Papa. Ele podia - e o fez - punir com a interdição e excomunhão seus membros, sem afetar em nada a estrutura jurídica da entidade". "Seguindo-se esse raciocínio, fácil é concluir que erram aqueles que afirmam ter sido a Ordem dos Templários extinta pela Bula do Papa. Ela nunca foi extinta, embora recaísse sobre seus membros a pena de censura deitada pelo Pontifíce".
E não poderia ser outro o raciocínio lógico-jurídico: a Ordem surgiu soberana e independente, não sendo vinculada hierarquicamente a Igreja de Roma, ou a ela subordinada. Através de ato arbitrário, teve seus bens confiscados, mas tal ato não implicou sua extinção, posto subsistir ela independentemente de seu patrimônio. Tanto é verdade que, em 1478, assumiu o cargo de Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Roberto de Lenoncourt, Arcebispo de Rheims. Inaceitável pensar-se que uma das mais importantes cidades francesas, aceitasse o cargo supremo de uma Ordem extinta.
Inúmeras outras personalidades ocuparam o Grão Mestrado. O Comandante da Armada que trouxe ao Brasil, em 1808, a Família Real portuguesa, o almirante inglês, Sir Sidney Smith, era, à época, o Grão-Mestre da Ordem do Templo.
Portanto, a Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém, conhecida como Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, não foi e não está extinta, continuando com sua existência jurídica no Brasil e sendo reconhecida em vários países.
Non nobis Domine non nobis sed Nomini Tuo ad gloriam!

A Inquisição

A Inquisição era um Tribunal Eclesiástico, também chamado de "Tribunal do Santo Ofício", criado para combater as heresias cometidas pelos cristãos confessos, e pôr muçulmanos vindos do Oriente. A inquisição ou Tribunal do Santo Ofício foi iniciada em Verona sob o Papa Lúcio III no ano de 1184, inspirado em escritos de Santo Agostinho, fortaleceu-se sob o Papa Inocêncio III (1198-1216) e o Concílio de Latrão (1215), de 1231 a 1234 Gregório IX multiplicou pela Europa os Tribunais de Inquisição, presidido pôr inquisidores permanentes.

A Inquisição, na visão de um Inquisidor:

Todos os inquisidores devem ser doutores em Teologia, Direito Canônico e também Direito Civil e os Inquisidores devem ter no mínimo 40 anos de idade ao serem nomeados, e a autoridade do inquisidor é dada pelo Papa através de uma bula, as vezes o Papa pode delegar o seu poder de nomear os inquisidores, a um Cardeal representante,bem como aos superiores e padres provincianos dos dominicanos, e frades Franciscanos, (foram os papas Inocencio IV e Alexandre IV, que deram esse poder aos superiores e padres provincianos de suas respectivas ordens " Licet ex Omnibu" e " Olim Praesentiens".

O Inquisidor não pode nomear um escrivão, pois será assistido pelo escrivão público das dioceses, somente em 1561 e que os Papas puderam nomear o escrivão. No ponto de vista da Inquisição são Heréticos.

Juridicamente :

a) Os Excomungados;
b) Os Simoníacos;
c) Que se opuser a igreja de Roma e contestar a autoridade que ela recebeu de Deus;
d) Quem cometer erros na interpretação das sagradas escrituras;
e) Quem criar uma nova seita ou aderir a uma seita já existente;
f) Quem não aceitar a doutrina Romana no que se refere aos sacramentos;
g) Quem tiver opinião diferente da igreja de Roma sobre um ou vários artigos de Fé;
h) Quem duvidar da fé Cristã:

A Inquisição e suas Torturas

A Inquisição, usava como método de obtenção de confissão a tortura, usada em alguns casos ao extremo, levando o torturado à morte; segundo Enry Thomas, grande historiador norte-americano, poderia ser escrito um livro somente sobre as torturas empregadas pela inquisição, embora pouco agradável. Vamos colocar apenas quatro;
Primeiro havia o "Strappado" Vacandard, o moderno apologista da inquisição, descreveu-o como se segue :

" O prisioneiro com as mãos amarradas para trás, era levantado pôr uma corda que passava pôr uma roldana, e guindado até o alto do patíbulo ou do teto da camera de tortura, em seguida, deixava-se cair o indivíduo e travava-se o aparelho ao chegar o seu corpo a poucas polegadas do solo. Repetia-se isso várias vezes. Os cruéis carrascos, as vezes amarravam pesos nos pés das vítimas, a fim de aumentar o choque da queda."

"Depois havia a tortura pelo fogo. Colocavam-se os pés da vítima sobre carvão em brasa e espalhava-se pôr cima uma camada de graxa, a fim de que este combustível estalasse ao contato com o fogo. Os Inquisidores estavam ali enquanto o fogo martirizava a vítima, e incitavam-na, piedosamente, a aceitar os ensinamentos da Igreja em cujo nome ela estava sendo tratada tão delicadamente e tão misericordiosamente. Para que houvesse um contraste com a tortura pelo fogo, também praticavam a da água."

"Amarrando as mãos e os pés do prisioneiro com uma corda trancada que lhe penetrava nas carnes e nos tendões, abriam a boca da vítima a força despejando dentro dela água até que chegasse o ponto de sufocação ou confissão." Em suma, todas as imaginações bárbaras do espírito de Dante, quando escreveu o Inferno, foram incorporadas em máquinas reais que cauterizavam as carnes, esticavam os corpos e quebravam os ossos de todos aqueles que recusavam crer na branda misericordiosa dos Inquisidores. E agora citemos mais uma vez o Sr. Vacandard : " De acordo com a lei, tortura só podia ser infligida uma vez, mas essa regulamentação era burlada facilmente...quando desejavam fazer repetir a tortura, mesmo depois de um intervalo de alguns dias, infringiam a lei, não alegando que fosse uma repetição, mas simplesmente uma continuação da primeira tortura.... Esse jogo de palavras dava margem a crueldade e ao zelo desenfreado dos inquisidores."