
A Verdadeira História dos Templários
São realmente os Templários os precursores da Franco-Maçonaria? Esta pesquisa
traz fatos e lendas que mostram esta possibilidade e coloca a nossa Ordem como a
continuadora da tríplice templária.
A história dos Templários começa forçosamente com uma análise das Cruzadas,
aquelas excursões militares apresentadas com objetivos essencialmente
religioso, mas que, na verdade, procurava estabelecer uma rota comercial segura
para o Oriente Médio com bases ocidentais, que garantisse o fornecimento
permanente dos produtos orientais para um mercado europeu sempre crescente. Os
mercadores de Veneza tinham criado um centro comercial que durante séculos
liderou os demais centros europeus. No início, ele eram pescadores, mas logo
depois começaram a comercializar seu sal, indo com o produto até o Islã e Bizâncio,
onde intercambiavam madeiras, armas e escravos pelos produtos orientais, que
revendiam na Europa com excelentes lucros. Mas as dificuldades que estes
audaciosos mercadores enfrentavam eram muitas, incluindo os piratas que
infestavam o Mediterrâneo e o fato de não contarem com depósitos e postos de
abastecimentos no Oriente.
Foi fácil para os mercadores incentivar as expedições militares, explorando
as desventuras por que passavam os fiéis, que desde o século IV peregrinavam a
Jerusalém. No século VII, Roma tinha estabelecido as peregrinações entre as
penitências canônicas, aumentando o afluxo de peregrinos, especialmente
europeus. Surge mais um problema com o aumento da agressividade dos turcos seldjúquidas
que chegam em 1095, com grande ameaça, até as portas de Constantinopla.
A Europa começou a levar muito a sério a criação de uma expedição punitiva
e recuperadora dos Santos Lugares, que recebeu o nome da I Cruzada. Em fins do século
XI, o Papa Urbano II dirigiu-se ao sul da França onde estava reunido o Concílio
de Clermont, lançando veemente apelo aos cristãos presentes (ano 1095) que
fanaticamente juraram colocar suas armas e suas vidas a serviço da Igreja na
luta contra os infiéis, com o grito de guerra "Deus o quer". Entre os
anos 1096 e 1270 houve oito Cruzadas oficiais e no decorrer delas o mundo
Ocidental percebeu que era necessário criar grupo paramilitares para receber
funções paralelas, tais como policiamento, preservação da fé religiosa (aliás
muito importante), atendimento médico, organização jurídica das terras
conquistadas etc.
A maior parte dos seus membros pertenciam à nobreza, devido a lei de
primogenitura.
Colhidos pelo profundo fervor religioso que percorreu a Europa toda, muitos
nobres alistaram-se em grupos, unidos no início por laços de fidelidade, para
desenvolver tarefas de caridade, e, posteriormente, formaram-se como ordens
militares com forte espírito religioso e que tinham seus próprios Estatutos e
recursos financeiros, produtos este de doações recolhidas de seus próprios
membros ou de peregrinos, monarcas ou mercadores agradecidos pela proteção
recebida, ou ainda de bens conquistados no campo de batalha. Com o tempo, estas
Ordens converteram-se em grupos poderosos, tanto econômico, como militares e
políticos. As Ordens tinham várias características comuns, que é
interessante analisar: - Militar-religioso: Participando de uma campanha bélica
com as Cruzadas, estas Ordens eram formadas de militares com forte espírito
religiosos; Nobres: A maior e mais importante parte era composta de membros que
pertenciam à nobreza, devido a que naquela época, a herança era regida pelo
direito da primogenitura, que cedia ao primeiro filho a totalidade dos bens como
legítimo e único sucessor, fazendo com que muitos nobres ficassem sem terras
por não serem primogênitos. Como as Cruzadas davam a oportunidade de
conquistar terras, esses nobres deserdados tornaram-se combatentes, unindo-se ao
exército ou às Ordens; Espírito cavalheiresco: Muitos quiseram imitar as
aventuras e façanhas que os combatentes de origem nobre tiveram na luta em
favor da fé e do Oriente, relatadas e exageradas pelos poetas populares;
Reconhecimento Papal: Para fortalecer este apoio militar, necessário para o
sucesso das Cruzadas, e manter o controle destas organizações, a Santa Sé
estabeleceu o reconhecimento destas Ordens mediante um Concílio onde era
apresentado um Regimento ou Regra, normalmente preparado por um pensador
religioso que passava a ser o Patrono da Ordem.
As Ordens assim formadas foram muitas, sendo a primeira a Ordem dos
Hospitaleiros, fundada em 1113 e organizada conforma a Regra de Santo Agostinho.
Posteriormente foram organizadas as Ordens dos Cavalheiros Teutônicos, dos
Cavalheiros de Alcântara, de São João de Jerusalém, de Calatrava, de Avis, a
Ordem dos Templários etc. A atuação delas foi diferente se comparadas entre
si, mas todas situavam-se no contexto religioso-militar e contribuíram para
criar as melhores tradições da cavalaria medieval.
Agora podemos entrar na história dos Templários, a história verdadeira, com
seus rituais de iniciação, seus símbolos, seus tesouros desaparecidos e a sua
verdadeira missão em benefício da humanidade, que fez o historiador Vitor
Michelet afirmar no seu livro "Segredos da Cavalaria", que a queda da
Ordem dos Templários fora o maior cataclisma da civilização do Ocidente.
Entre os nove cavaleiros, estava o trio de São Bernardo, santo que foi uma
das inteligências da Igreja
Vamos começar. Estamos em 1118. Na frança, Luiz O Gordo reinava desde 1108 e
Henrique I, na Inglaterra, desde 1106. A Península Ibérica tinha sido invadida
pelos Almorávidas, que já eram donos de Sevilha e Saragoça, a I Cruzada do
Papa Urbano II tinha criado os Estados Latinos no Oriente.
Hughes de Payns, cavaleiro francês, nascido aproximadamente em 1080,
participante da I Cruzada, onde conhecera Godefroy de Bouillon, desenvolve a idéia
"humanitária" de cuidar da via de peregrinação que ia de Jafa à
Jerusalém. Vejam que coincidência: entre tantas áreas que precisavam de apoio
militar, ele escolhe aquela que permitir-lhe-á ficar ao lado do Templo de Salomão.
Hughes de Payns viaja até Jerusalém acompanhado de oito cavaleiros,
apresenta-se ao Rei Balduíno II, primo de Godofredo de Bouillon, que aceita seu
projeto e cede-lhes uma construção que servia de mesquita, encostada o Templo;
por este motivo eles passaram a ser conhecidos como os Cavaleiros do Templo, em
que pese tivessem solicitado seu reconhecimento oficial sob o nome de "Milícia
de Cristo". Muitos historiadores têm especulado sobre os verdadeiros
motivos tidos por Hughes de Payns e os oito cavaleiros de viajarem à Terra
Santa; analisando justamente estes nove cavaleiros, descobriu-se um tio de São
Bernardo, santo que foi uma das inteligências da Igreja; do grupo participava
também Hughes de Champagne, outro nobre, que, após uma primeira viagem, entrou
em contato com um abade que dedicou-se, a partir desse momento, ao estudo de
textos sacros hebraicos; Hughes de Champagne retorna à Terra Santa e quando
volta, constrói a Abadia de Clairvaux para o seu amigo abade, acompanhado de
doze monges, continue o estudo do hebraico antigo.
Desde 1119 até 1128, Balduíno II enfrentou uma pressão militar terrível da
parte de seus inimigos, egípcios, turcos, coalisões muçulmanas etc., enquanro
os nove cavaleiros destinados a proteger a estrada peregrina, permaneciam dentro
do Templo, aparentemente sem atividade militar nenhuma. Ou será que eles,
durante os noves longos anos, procuravam alguma coisa de muita importância para
eles?
É de supor que eles procuravam o Santo Graal ou mesmo a Arca da Aliança com
as Tábuas da Lei
Será que eles eram um dos tantos que através dos tempos procuravam o Santo
Graal, aquele cálice sagrado que a lenda nos fala e que já esteve nas mãos de
Abraão, Melquisedec, Moisés, a Rainha de Sabá, o Rei Salomão, Jesus que o
usou na Última Ceia, José de Arimatéia, que recolheu nele o sangue de Jesus
na Cruz ? Segundo algumas lendas e tradições, o verdadeiro objetivo dos Templários
seria a procura do Santo Graal. Ou será que eles procuravam a Arca da Aliança
com as Tábuas da Lei, as mesmas que Moisés recebera de Deus quando liderou seu
povo na fuga da prisão do Egito ? Segundo alguns autores as Tábuas da Lei
eram, na verdade, um conjunto de livros da mais alta sabedoria, escrito em
hebraico antigo, em poder dos sacerdotes egípcios, e que Moisés apropriou-se
deles para servir de guia no desenvolvimento de seu povo. Justificar-se-ia, então,
o estudo dessa língua morta por parte de Hughes de Chamapagne e seu grupo de
monges. E essa seria a Primeira Grande Missão dos Templários: reencontrar o
Santo Graal ou a Arca da Aliança como representação de algo que estava
perdido e deveria ser recuperado: o símbolo da eterna procura da Verdade, da
Sabedoria, do Conhecimento e da Perfeição por parte do Homem.
Em 1128 é celebrado o Concílio de Troyes, citado exclusivamente para conhecer
e aprovar a Ordem dos Templários, que iriam seguir a Regra preparada por São
Bernardo. Estas regras eram um conjunto de deveres militar-religiosos, muitos
rigorosos e que mencionavam muito o número 3, número considerado cabalístico
pelos Templários. Tanto a divisa "Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini
Tuo ad Gloriam". ( Não por nós, Senhor, não por nós, mas para que teu
nome tenha a glória) como o primeiro parágrafo "Tu, que tendes renunciado
as coisas mundanas", mostram desde o início a entrega total dos Cavaleiros
à Ordem. Antes de pronunciar os votos, os cavaleiros deviam observar um
noviciado e somente a partir do pronunciamento dos votos é que podiam ser
considerados religiosos: "Aos cavaleiros impõem-se o hábito branco,
cabelos rasos e conservar a barba; os oficiais inferiores e escudeiros deviam
usar manto preto, sendo obrigatório a simplicidade no vestir; deviam ser
pronunciados os votos de castidade, pobreza e obediência, e a assistência aos
ofícios religiosos de dia e de noite era obrigatório".
É interessante prestar atenção a estes votos e as regras de tipo religioso,
à que os Templários cumpriam rigorosamente, pois uma das acusações feita
contra eles foi justamente a heresia.
As "Regras" dos Templários eram rigorosas e eliminavam as diferenças
das classes sociais
Continuemos vendo estas regras: "Deviam recitar 15 Pater de manhã e comer
magro 4 dias por semana; ao morrer um Templário, cada membro da Ordem devia
dizer 100 Pater por dia e durante 7 dias, e o quinhão que correspondia ao
defunto em vida, era repartido aos pobres durante 40 dias. Comungavam 3 vezes no
ano, ouviam missa 3 vezes na semana; a caça era-lhes proibida; a principal
dignidade era de Grão-Mestre, que tinha honras de Príncipe entre os Reis;
depois vinham os preceptores e Grãos-Priores, logo os Visitadores e, em 4º
lugar de hierarquia estavam os Comendadores; a luxúria era condenada; para
receber um novo cavaleiro reunia-se o Capítulo, que era formado pelos altos
dignatários e capitães de certo nível; a cerimônia tinha lugar à noite e na
Igreja. O recipiendário era interrogado três vezes antes de ser introduzido no
Templo e pedia três vezes pão e água e a fraternidade da Ordem; os cavaleiros
observavam três grandes jejuns; a esmola era feita em todas as casas da Ordem
três vezes na semana; o cavaleiro tinha três cavalos; comiam três vezes
carnes na semana e nos dias em que não a comiam podiam optar por três pratos
diferentes; adoravam a cruz solenemente três vezes por ano; juravam não fugir
na presença de três inimigos; se lutassem para defender a vida contra outros não
hereges, só deviam ripostar depois de três vezes atacados. Flagelavam no Capítulo,
aqueles que tinham merecido esta correção; os cavaleiros em combate jamais
podiam pedir clemência, não podiam pagar resgate quando feitos prisioneiros;
em virtude disso os Templários caídos prisioneiros, inclusive Grão-Mestres,
foram quase sempre executados; ninguém podia dispor dos bens da Ordem sem o
voto do capítulo; os cavaleiros deviam estar sempre dispostos a dar a vida
pelos seus irmãos; os irmãos são iguais entre eles e não deve ser levada em
consideração nenhuma diferença entre as pessoas. A Ordem eliminava as diferenças
entre as classes sociais, seguindo fielmente a doutrina do "Nazareno".
Sendo aprovadas estas Regras pelo Concílio de Troyes, estava oficialmente
reconhecida e formada a Ordem dos Templários. Como acabamos de ver, as Regras
eram rigorosas, exigiam sacrifícios dos cavaleiros que eram obrigados a deixar
de lado os prazeres mundanos, as mordomias as vida na corte, a prática da caça,
separavam-se das famílias, doavam suas riquezas, tudo com a promessa de um único
prêmio: a salvação eterna. E tem mais: muitos cavaleiros sendo ricos nas suas
terras, na Ordem passavam a ser pobres; eles nada possuíam, a Ordem que era
rica.
E como é que se explica que a Ordem tenha mantido por quase 200 anos um espírito
de união tão forte, com um comportamento exemplar de seus membros, todos
estreitamente unidos por um objetivo único ? Existia uma Regra Secreta, com
mandamentos desconhecidos até hoje ?
Só na França, os Templários acumularam cerca de 1.000 Comendadorias e
inumeráveis granjas e solares
Em 1130 Hughes de Payns entra outra vez na Palestina, já como Grão-Mestre, com
o exército por ele recrutado e estabelece na casa vizinha ao Templo de Salomão,
a Casa dirigente da nova Ordem. Na França permanece Payen de Montdidier como
Mestre, iniciando-se assim a fase operativa. No Oriente e na Europa a espada
Templária acod em defesa do fraco, assim como a esmola templária ajuda aos
pobres. O exército, disciplinado e muito bem treinado nunca recusa um combate.
Um detalhe: 5 dos 22 Grão-Mestres morreram em combate e outro morreu
prisioneiro, pois recusou-se a pagar resgate.
A parte material também foi um sucesso. As doações deixam a Ordem rica, doações,
que, curiosamente, começam antes de 1138, o que faz os historiadores imaginar
que a Ordem, com seus objetivos, já existia secretamente bem antes da data
oficial. Em 1270, os Templários já tinham acumulado, só na França, cerca de
1000 comendadorias e inumeráveis granjas e solares. No reino de Valença,
Espanha, os Templários eram donos de 17 praças fortes. Inclusive o Rei de Aragão
pretendeu dividir todo seu reino entre os Templários e os Hospitaleiros, no que
foi impedido pelo clero, nobreza e povo. A Rainha de Portugal daria à Ordem, em
1128, o Castelo e a mercé de Saure, à margem do Mondege. As propriedades da
Ordem estavam em toda Europa, mas a principal concentração está na frança,
país onde a Ordem tem a sua máxima importância. Na Terra Santa, Palestina,
Antioquia, Trípoli, Saint Jean D’Acre, etc, também mantinham comendadorias.
Na Espanha e Portugal eles tinham conquistado fortaleza dos muçulmanos e
construído outras em pontos estratégicos, criando uma linha de defesa na costa
mediterrânea contra os corsários, especialmente em Provença em em Catalunha.
Os ingressos de dinheiro auferidos pela Ordem não cessam de crescer. Eles vêm
da aluguéis de casas particulares (diz-se que em Paris a Ordem era dona de
bairros inteiros), de dízimos, venda de produtos agrícolas cultivados nas suas
inúmeras granjas, dinheiro recolhido pela igreja da Ordem etc.
Alguma razão secreta deve ter existido para explicar a construção de um porto
próprio e uma rede de estradas que cruzavam a França
Para facilitar a comunicação entre todas as comendadorias, fortalezas, portos
(os Templários possuíam uma bem abastecida marina) etc., os Templários
construíram especialmente na França uma rede de bem cuidadas estradas, que
beneficiou o desenvolvimento de todas as atividades econômicas do país. À
qualidade da estrada, unia-se a segurança dada pelos Templários especialmente
nas proximidades de suas propriedades e assim os viajantes viam-se livres de
salteadores. O curioso, observando um mapa destas estradas desembocam publicadas
no livro Os mistérios Templários, de Louis Charpentier, que seis grandes
estradas desembocam ou partem de La Rochelle e distribuem-se pela França
inteira. Curioso porque La Rochelle não existia como porto oficialmente
reconhecido naquela época e nem sequer como cidade, mas os Templários tinham
ali uma casa provincial que dirigia suas atividades nessa parte da costa atlântica.
Temos falado que os Templários possuíam uma frota poderosa, cuja atividade
militar concentrava-se no Mediterrâneo e por tanto as bases poderiam ser em
Valença ou em Barcelona. Então, porque La Rochelle? Porque um sistema viário
tão importante a partir de La Bochelle?
Alguma razão secreta deve ter existido que justificasse este investimento de
porto e estradas; só que nenhuma prova ficou e na falta de provas, os
historiadores iniciam suas especulações unindo fatos aparentemente isolados.
Quando nasceu a Ordem dos Templários, a prata quase que não existia; as moedas
eram feitas de ouro e bronze. No fim da Idade Média, a moeda de prata passa a
ser de uso corrente. De onde saiu essa prata ? A Europa tinha umas poucas minas
de prata na Alemanha, mas que ainda não estavam sendo exploradas. As minas de
prata estão na América, que ainda não tinha sido "descoberta" por
Cristovão Colombo. No Oriente, a prata era mais apreciada que o ouro. Unamos
agora estes fatos com algumas suposições. Os Templários conheciam o valor da
prata no Oriente. Eles sabiam ou descobriram que na América existia prata em
abundância. É fato demais conhecido que marinheiros normandos navegavam até a
América bem antes de Colombo. Então já temos uma grande hipótese. Os Templários
montam uma frota, constroem um porto em um local desabitado, a coberto de
olhares intrusos, dotam-no de estradas e começam a trazer a prata da América,
que compete com o outro, para criar um novo padrão financeiro sob seu controle
que iria reforçar o sistema bancário também montado por eles para facilitar
transações comerciais e outros empreendimentos dentro da Europa. Sim,
exatamente, um sistema bancário. E no que consistia ? Em um sistema simples,
mas não tanto para a época. Como cada comendadoria possuía ouro e dinheiro em
quantidade, a Ordem começou a fazer o papel de Banco Nacional, oferecendo aos
comerciantes as vantagens de uma "letra de câmbio" e evitando o
transporte de dinheiro tão exposto a perigos. Esta função bancária também
incluía empréstimos de grandes somas para diferentes projetos particulares e
até da Igreja; também o governo central da nação utilizou os serviços bancários
da Ordem para recolhimento de impostos reais em determinadas regiões.
Artesãos, construtores e outros ofícios se instalavam em terras templárias.
Trabalhando livremente sem sofrer taxas
Existem autores que indicam que o papel desempenhado pelos Templários era
unicamente o de Tesoureriro, Caixa e, ao mesmo tempo, garantia para empréstimos
dos particulares; tratar aos Templários com banqueiros seria um erro, mas o que
vimos nos parágrafos anteriores indica que eles foram mesmo os banqueiros e dos
mais importantes.
O poder central dos Templários também desenvolveu atividades tendentes a criar
ou agilizar o progresso econômico; entre elas podemos citar; Vias de comunicação;
proteção aos viajantes e ao transporte de produção que sofria
permanentemente a ação dos salteadores; supressão de cobrança de "pedágio",
imposto pelos senhores feudais, liberando desse pagamento a quem usasse as
pontes e estradas templárias; desenvolvimento de culturas, especialmente trigo
a cevada, para diminuir a fome que na época dizimava as populações mais
carentes. O número de comendadorias só na França era da ordem de 2.000; cada
granja possuía em média 1.000 hectares de terra cultivável, com seus servos,
própria do sistema feudal, mas que aos poucos os Templários foram libertando e
transformando em locatários com mais direitos; convite a artesãos,
construtores e outros ofícios para se instalarem em terras templárias, onde
poderiam trabalhar livremente sem sofrer taxas.
Como é fácil ver, estas medidas tiveram como resultado uma liberação do comércio
da tutela do governo estabelecido, mas dependendo de modo indireto da Ordem.
Alguns historiadores argumentam que não foi a cobiça que fez o Rei Filipe o
Belo destruir a Ordem dos Templários. O objetivo social da Ordem que visava
organizar uma nova sociedade na qual todos seriam iguais, trabalhando com
segurança, vivendo em paz e prosperidade, o que era considerada como a Segunda
Grande Missão da Ordem, colocava em grave perigo aos dois poderes que
governavam sem oposição e dentro do maior absolutismo: a Monarquia e o Papado.
O Rei havia tomado conhecimento do atrevido plano e só pensou em destruí-lo
Fugindo da perseguição francesa, os Templários se dirigem para a Escócia,
justamente quando aparece a palavra "freemason"
Os Templários, na construção de fortalezas militares, tiveram ensinamentos
dos bizantinos e com essa experiência, unida às máquinas de guerra que
permitiam-lhe movimentar grandes pedras, dedicaram-se a construir catedrais,
muitas das quais permanecem até hoje. São, por isso, considerados por alguns
autores como precursores das associações de pedreiros que por aí buscam a
Franco-Maçonaria; lembremos, para reforçar esta teoria, que a palavra
freemason é de origem francesa que apareceu entre os anos 1376 e 1396, e que,
nessa época, chegaram a Escócia os Templários, fugindo da perseguição
francesa e ocultaram sua identidade atuando como pedreiros.
Entre 1146 e 1272 são construídas na França uma infinidade de catedrais e,
entre elas, 25 de grande porte, o que significa haver tido várias comunidades
de construtores em ação. Aproximadamente, a França tinha nos inícios do século
XIII, uns 10 milhões de habitantes, uma população reduzida, esfomeada,
participando das Cruzadas e guerras regionais, que tinha uma quantidade
impressionante de profissionais construtores. Estes profissionais devem ter sido
formados por alguém e alguém tinha que desenvolver novos projetos, coordenar
as obras em andamento, financiar salários, materiais e custos em geral, que
demanda a construção de uma catedral. Os nobres e a Igreja estavam
empobrecidos após o fracasso das Cruzadas, e os tempos que a Europa vivia eram
os piores que a história conheceu. Quem, então, gastou enormes recursos para a
construção de tantas catedrais? Podemos falar então da Terceira Grande Missão
da Ordem dos Templários: a construção dos Templos.
E agora entremos no capítulo final da história dos Templários: o processo. Os
personagens principais desta fase histórica são três: O Rei Filipe IV,
chamado de o Belo, o Papa Clemente V e o 22º Grão-Mestre da Ordem dos Templários,
Jacques deMolay. Filipe o Belo nasceu em 1273 e aos 17 anos subiu ao trono da
França. Ele, no apogeu dos Capetos, deu prosseguimento à tradicional política
de ampliação dos domínios reais e a centralização do poder monárquico,
entrando em choque com as teses da supremacia internacional do Papado,
pretendendo inclusive a cobrança de impostos do clero francês, ao que o Papa
Bonifácio VIII se opôs energicamente. O estopim deste conflito foi a prisão,
ordenada por Filipe, do Bispo de Painers. Evidente que o Papa optou pela defesa
do Bispo e solicitou ao Rei sua imediata liberação, sob ameaça de excomunhão.
As excomunhões geraram atrito entre o Rei da França e o Papa, surgindo
conflitos e assassinatos
A excomunhão na época era uma pena gravíssima e mais ainda em tratando-se de
um Rei, supostamente de caráter divino, pois a excomungado era excluído da
comunidade cristã, sem nenhum direito, o que significava que os seus vassalos,
no caso do Rei, não eram obrigados a prestar-lhe obediência. Em 1302, Filipe o
Belo convocou os Estados Gerais, e os conselhos jurídicos recomendaram-lhe a
acusar o Papa de heresia. Em 1303, em um ato verdadeiramente audacioso, o Rei
enviou um grupo armado ao Palácio de Anagni, Florença, e retiveram o Papa
prisioneiro durante três dias, até que a burguesia de Florença reagiu
indignada, liberando o Papa Bonifácio VIII, para a sua melhor segurança
retornou a Roma, mas seus 86 anos de idade não resistiram tantas emoções
desagradáveis e veio a falecer trinta dias depois.
Foi eleito então pela Cúria Romana, Bento IX, que manteve uma atitude
intransigente contra Filipe o Belo, ampliando a excomunhão dos assessores jurídicos
do Rei. Mas, misteriosamente, Bento IX, morreu envenenado com figos após oito
meses e meio de Papado. Na época, muitas personalidades foram acusadas da morte
do Papa e, como era lógico supor, também Filipe o Belo foi acusado, mas não
com muita convicção. A própria Igreja não se pronunciou e também não
desenvolveu processo investigatório.
Para a escolha do novo Papa a coisa complicou-se, pois o colégio de Cardeais,
reunindo em Perusa, dividiu-se em dois grupos, um a favor e outro contra a França,
sem chegar a resultado nenhum. Após nove meses chegou-se a uma solução: um
partido escolheria o futuro Papa de uma lista de três nomes, a ser apresentada
pelo outro partido. A escolha correspondeu ao partido francês, que era
dirigido, evidentemente pelo Rei. O partido, que podemos chamar de italiano,
apresentou uma lista de três nomes que incluía o do Arcebispo de Bordeus,
Bertrand de Gott Villadrant, Casconha, França. Este era débil de caráter e fácil
de ser manipulado. Antes da eleição, foi chamado a uma reunião com o Rei,
onde este condicionou a sua escolha à concessão de seis graças especiais: 1a.
- Reconciliação da Igreja com o Rei da França; 2a. - Perdoar o erro cometido
na pessoa do Papa Bonifácio VIII; 3a. - Ceder ao Rei da França os dízimos
cobrados pela Igreja durante 5 anos; 4a. - Destruir e anular a memória do Papa
Bonifácio; 5a. - Restituir a dignidade de Cardeal a dois amigos do Rei e fazer
cardeais a outros amigo dele; 6a. - A sexta graça o Rei deixou para ser
comunicada quando a ocasião fosse propícia.
Levado pela ambição, Bertrand de Gott concordou em tudo e foi eleito Papa. Sua
primeira prova de submissão ao Rei foi quando, contra a vontade da maioria dos
cardeais, permaneceu na França, sendo coroado cinco meses depois como Clemente
V, fixando sua residência em Avignon.
O povo se revoltou contra o Rei, que escapou e foi escondido pelos Templários
na Câmara Secreta do Templo de Paris
A situação do reino da França piorava cada vez mais, estando o povo cansado
dos abusivos impostos. Nesse momento, os funcionários encarregados das finanças
do Reino, promulgaram uma nova ordenança, pela qual era criada uma nova moeda,
reduzindo a moeda existente a metade do seu valor. O povo revoltou--se,
dirigindo-se à residência do Rei, que teve que escapar, sendo escondido pelos
Templários na câmara secreta do Templo em Paris, onde era guardada parte
importante das riquezas da Ordem. Podemos imaginar os pensamentos que passaram
pela mente do Rei naqueles momentos em que ele ficou contemplando aquelas
riquezas. Para acalmar o povo foi deixado sem efeito a desvalorização da
moeda, podendo assim o Rei voltar ao seu Palácio onde, em segurança, resolveu
cobrar do Papa a sexta graça. Obediente, o Papa mandou chamar a sua presença o
22o. Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Jacques de Molay. Jacques de Molay
tinha nascido entre 1240 e 1243 em Beçanson, França, de família nobre, tendo
ingressado na Ordem em 1265; foi enviado à Palestina onde esteve sob as ordens
do Grão-Mestre Guilherme de Beuajen. Com a morte deste, em 1298, foi eleito Grão-Mestre
por unanimidade.
O motivo dado pelo Papa da chamada de Jacques de Molay, era para ouvir a sua
opinião sobre uma nova Cruzada e a possibilidade de unir as duas grandes
Ordens: os Templários e os Hospitaleiros de São João.
Houve grande discussão no Capítulo. A Terra Santa já estava definitivamente
perdida para o Ocidente e, como temos visto, este não era um dos objetivos dos
Templários, ao menos assim parecia ser. Na França localizava-se o centro
principal de operações da Ordem e o Capítulo suspeitava que a viagem poderia
trazer grandes perigos para o Ordem. Mas sendo o Grão-Mestre subordinado
hierarquicamente ao Papa, uma recusa de obedecer significaria um ato fortemente
rebelde. Decide-se finalmente pela viagem. E é assim que a inícios de 1307,
Jacques de Molay viaja acompanhado de 220 cavaleiros, transportando todo o
tesouro que a Ordem possuía no Oriente, estimado em 150.000 peças de ouro e
grande quantidade de prata, levadas ao lombo de 10 mulas. Este dinheiro foi
utilizado na compra de grande extensão de terras na mesma França.
Jacques de Molay nega-se a admitir na Ordem o filho do Rei Filipe o Belo
Jacques de Molay e seus dignitários foram recebidos com grande pompa pelo Rei
Filipe o Belo. O Rei, conhecendo o poder de sua futura vítima, procurou algum
tipo de aliança com Jacques. Nomeou-o padrinho de um dos seus filhos e propôs-lhe
o ingresso de outro na Ordem dos Templários. Evidentemente que este novo membro
da Ordem, em razão de sua linhagem real, deveria ser a curto prazo o novo Grão-Mestre
da Ordem. Jacques de Molay recusou gentilmente mas com firmeza. Nesse ínterim,
o Rei, sempre com cobiça, conseguiu de parte de Jacques de Molay um suculento
dote para sua filha Isabel, que estava pronta para casar-se.
Nas suas entrevistas com o Papa, Jacques de Molay recusou a fusão com os
Hospitaleiros, porque percebeu que a nova Ordem ficaria sob o comando do filho
do Rei. A fusão também não era interessante porque poderia afastar os Templários
daquela tríplice missão da qual já temos falado. Diante da recusa de Jacques
de Molay, o Rei fez espalhar horríveis calúnias sobre os Templários, que
estarreceram a mentalidade simples do povo. Em 14 de setembro de 1307 o Rei
decreta a prisão de todos os Templários dentro de seu reino e o embargo de
todos os seus bens.
As acusações contra os Templários foram as seguintes: no momento da iniciação,
os Templários deviam renegar a Cristo, à Virgem Maria e a todos os Santos;
deviam cuspir na crus; não acreditavam no Sacramento da Igreja e os Padres da
Ordem omitiam as palavras de consagração na missa; acreditaram que os Grãos-Mestres,
os Visitadores e os Preceptores, ainda leigos, tinham o poder de absolvê-los
dos pecados; praticavam a sodomia entre eles; na iniciação recebiam beijos na
boca, no umbigo, no ventre nu, no ânus e na espinha dorsal; tinham ídolos de
diversas formas de cabeças, incluindo caveiras humanas.
O Rei envolveu a Santa Inquisição para julgar e obter confissões que os
comprometessem, sob tortura
O processo, inicialmente desenvolvido pelo Rei da França, atingiu a todos os
Templários como pessoas, pois os Templários, como Ordem, dependiam
exclusivamente do Papa que, débil de caráter, ainda não decidira dar início
oficial a tanta ignomínia. Mas o objetivo principal do Rei era a Ordem mesmo,
para poder apropriar-se de todos os bens, ao menos na França. Daí que decidiu
envolver a Santa Inquisição no processo através de Guilherme de Paris,
Inquisidor da Fé desde 1303 e, coincidentemente, confessor do Rei desde 1305,
para que ela, julgando os Templários individualmente, obtivesse confissões
mediante tortura que envolvessem à Ordem de tal maneira que, quando o Papa
decidisse iniciar o julgamento contra a Ordem, estivesse tudo preparado.
Por que envolver a Inquisição? A inquisição desejava o controle absoluto da
Igreja, e a Ordem dos Templários, com seu poder econômico e militar, era um sério
tropeço que seria bom eliminar.
Temos, pois, o Rei apetecendo as riquezas dos Templários, a Inquisição
desejando eliminar um sério obstáculo para reforçar sua hegemonia dentro da
Igreja e um Papa pusilânime, subjugado ao Rei.
Um fato curioso, que tem provocado o interesse dos historiadores, é a
passividade dos Templários em se deixarem prender pelas forças do Rei. Naquela
época, os Templários deviam ter na França 3.000 cavaleiros combatentes de
primeira linha, infinitamente superior aos militares do Rei; fora deles, tinham
os escudeiros que se vestiam de preto e os servidores e funcionários, que se
bem não fossem combatentes, serviriam no caso como apoio e para cuidar das
instalações.
Acontece que os Templários juravam lutar contra os inimigos da fé que,
tradicionalmente, eram de outra raça; a Regra proibia-lhes combater contra
cristãos, somente podiam reagir quando três vezes atacados e, em caso de
conflito, a declaração ou ordem de lutar somente podiam vir do Grão-Mestre.
Estando ele preso, os Templários, com uma disciplina pouco comum, somente
limitaram-se a obedecer as Regras que tinham jurado.
E agora entremos na análise das acusações, pois ela mostrará que os Templários
possuíam conhecimentos esotéricos muito avançados que chocavam e chocam o
dogma, especialmente pessoas fanáticas ou de mentalidade simples.
Os Templários não manifestavam entusiasmo por Jesus o que era considerado
grande heresia pelo Papa
A existência de Jesus da Nazareth, o Cristo da religião católica, e sua
crucificação da forma como tem sido transmitida pela Igreja, tem sido
questionada por diversos setores. Na Terra Santa não existia, até a Idade Média,
com nome de Nazareth e sim uma comunidade essênica na Galiléia que tinha
aquele nome, e a Igreja tem procurado ocultar a origem de Jesus como essênio. O
amor fraternal apregoado por Jesus é um dos alicerces principais de sua
doutrina mas, nos Evangelhos, lemos expressões de um Cristo violento,
vingativo, intolerante, fanático etc. (Aquele que não está comigo, está
contra mim... Desgraças a ti, Corazaim. Desgraça a ti, Bethsaida... Trazei
aqui meus inimigos que não me quiseram como Rei e matai-os em minha presença
(Lucas XIX, 27) ... Se a tua mão é um objeto de escândalo, corta tua mão...
Olho por olho, dente por dente... Eu vim para pôr a divisão entre o filho e o
pai... Deus deu esta ordem: honra teu pai e tua mãe e aquele que amaldiçoar
seu pai seja punido. Louis Charpentier, no seu livro Os mistérios Templários e
Edmond Bordeaux Szekely e, A origem essênica do Cristianismo (1927), lançam a
possibilidade de haver nas Escrituras um guerrilheiro e um Mestre. O
guerrilheiro pode ser o filho mais velho de José, que deseja recuperar o trono
de David, sua herança, e foi crucificado pelos romanos. O Mestre pode ser um
essênio, supliciado, mas não morto pelos judeus. O descobrimento dos Rolos do
Mar Morto em março de 1947, junto com o esclarecimento de alguns pontos da
existência dos essênios, complicou outros, especialmente aqueles relacionados
com Jesus e a Sagrada Família e seu relacionamento com os essênios. Lembremos
que os Templários em muitos se assemelhavam com aos essênios: só moravam
homens na comunidade, usavam o branco como vestimenta, todos os bens eram
comunitários, individualmente nada possuíam obedeciam rigorosamente a
hierarquia etc.
Os Templários consideravam-se fiéis cristãos, reverenciavam a Cristo, mas,
aparentemente, não manifestavam o mesmo entusiasmo por Jesus, o que
evidentemente naquela época era uma heresia.
Vejamos agora a acusação de cuspir na cruz: no mundo antigo a cruz era
instrumento de tortura usado para castigar escravos e indivíduos de classes
inferiores. Desde aí que as religiões, tentando expressar a dor dos que
sofrem, incluíram a cruz nas suas variadas formas para venerar os deuses pagãos.
Mas o cristianismo demorou para adotar a cruz dentro de sua liturgia. O suplício
na cruz era símbolo da derrota dos escravos rebeldes; existia um terror
instintivo que afastava os fiéis da exaltação pública da cruz. E quando, aos
poucos, a cruz foi aparecendo no cristianismo, os cristãos antigos foram
apelidados de adoradores da cruz, evidente que de forma pejorativa. Somente no século
V começava a ser admitida a imagem de Jesus crucificado. Mais uma argumentação:
a cruz de madeira é matéria, diferente do espírito; a matéria morre, acaba,
apodrece; o espírito é eterno. E era assim que os Templários entendiam-na; o
parágrafo 13 do Título da Regra dos Templários indicava que o Recipiendário
caminhará sobre a cruz mas, no parágrafo seguinte, explicava que não é a
forma mas sim a essência que devemos reverenciar.
A acusação referente aos ídolos, os historiadores não tem conseguido aclamar
totalmente. Sobre o crânio não existia dúvida e ele tinha dentre os Templários
o mesmo significado que tem para os maçons, que não é outro senão o
reconhecimento da Razão de que o Homem está dotado e se encontra contido
dentro do crânio. Fora dos crânios houve outro tipos de cabeças de forma
estranha achadas nas Casas dos Templários e que nenhum dos interrogados soube
dar uma explicação certa, seja por ignorância, ou fingir ignorância, e os
inquisidores, pelas razões não insistiram.
Os Templários conservavam conhecimentos dos hindus, introduzidos nos
cerimoniais de iniciação
Vejamos agora os beijos em partes do corpo do Recipiendário, indecorosos
conforme a Inquisição. Na parte mais baixa da espinha dorsal está localizado
o Chakra Fundamental ou Básico; é a sede do Fogo Serpentino, a energia
criadora em estado latente; o desenvolvimento deste centro proporciona domínio
sobre os elementos da terra. Pela espinha dorsal do homem circula a medula
espinhal, sendo a crença transmitida pelos hindus, que nela existe uma força
vital do homem, independente de sua vitalidade animal: é a serpente Kundalini,
dormente, mas que se for acordada, dirigir-se-á ao Chakra Fundamental ou Básico.
Os Templários evidentemente de posse deste conhecimento iniciático, faziam o
Mestre beijar o Recipiendário no local abaixo da espinha dorsal. Quanto aos
beijos em outros lugares do corpo não existem informações dignas de crédito
e pode ser que elas foram incorporadas nas acusações mais caluniosas. De toda
maneira, aproveitamos este exemplo para lembrar o motivo principal pelo qual as
Escolas Iniciáticas mantêm seus Rituais fora do alcance de profanos, pois
eles, com sua ignorância, além de não entender, mistificam para o lado mais
sujo estes procedimentos.
Quanto à acusação de sodomia, acreditamos que não vale a pena nos ocuparmos
dela, já que não foi reconhecida por ninguém, nem ainda sob tortura, sendo,
aparentemente, mais uma calúnia para aumentar dentro do povo a indignação dos
Templários.
Em Paris, a inquisição foi violenta, torturando e queimando vivos os Templários,
antes de qualquer interrogatório
As outras acusações englobavam-se no pecado de heresia, sendo de muita
gravidade para os tempos que corriam, em que a Igreja era a dona das mentes e
das almas e aqueles que manifestava-se contra a fé, sofria o castigo da
excomunhão que significava o ostracismo dentro da sociedade. Mas acontece que
poucas vezes tem-se visto tanta religiosidade e tanta fé dentro de um corpo
militar como nos casos dos Templários. Conforme vimos, a Regra mantinha-os em
contato permanente com a religião e tanto é assim que eles ainda no cativeiro
pediam insistentemente assistir a missa e comungar. Lembremos que durante 200
anos eles lutaram e morreram (incluindo 5 Grandes Mestres) pela fé religiosa e,
quando feitos prisioneiros, eles preferiam morrer a abjurar da sua fé. Quando a
Ordem foi dissolvida, grande número de cavaleiros ingressou em diferentes
conventos para continuar dentro de sua fé. Que classe de hereges são esses?
Acolhendo os conselhos do Rei, a Inquisição foi violenta com os Templários,
encarcerando-os, torturando-os e queimando-os; 54 Templários foram queimados
vivos em Paris antes de serem interrogados. O Papa Clemente V reforçou esta
violência, exigindo por carta endereçada ao Rei de Chipre e aos Bispos de
Famagusta, a aplicação das torturas. É bom esclarecer que em outros países a
reação contra os Templários não foi tão desfavorável. Em 16 de outubro de
1311, reuniu-se em Viena um Concílio Geral para julgá-los e que deu em nada.
Em Aragão e Portugal, eles foram autorizados a ingressar em outras Ordens se o
desejassem; na Alemanha e na Itália, eles foram simplesmente absolvidos; na
Inglaterra, eles foram detidos e submetidos a processo pelos Inquisidores, mas
sem a amplitude e a violência da França. Em 21 de outubro de 1310 o Concílio
de Salamanca absolveu os Templários de toda culpa. Vendo que o clima podia
mudar a favor deles, em 1312, o Papa Clemente V emitiu a Bula Vox Clamantis
extinguindo a Ordem e, no dia 2 de maio do mesmo ano, na Bula Ad Providas, que
regulamentava a requisição de seus bens; esta Bula está cheia de contradições
e demonstrando muito bem o caráter débil do Papa, pois assim como reconhece não
estar em condições de emitir uma sentença jurídica, condena a Ordem a extinção
perpétua.
Em 3 de março de 1314, o Grão-Mestre Jacques de Molay acompanhado de três
Altos Visitadores, comparece no átrio de Notre Dame em Paris para ouvir a
sentença que os condenará à detenção perpétua. Mas Jacques de Molay toma a
palavra, retratando publicamente das confissões obtidas sob tortura e
declarando a Regra do Templo, santa, justa e católica, sendo seguida nesta
atitude por Geoffroy de Charnay. Diante de tamanha mostra de rebeldia e coragem
contra o Rei e a Inquisição, a reação das autoridades francesas foi
imediata: condena-os à fogueira, sendo executado nesta mesma tarde.
Jacques de Molay é queimado vivo e antes de morrer faz uma imprecação contra
o Rei e o Papa :
Jacques de Molay, perante a fogueira, despiu-se totalmente de suas vestes de
Grão-Mestre, ficando nu para simbolizar que era o ser humano Jacques de Molay
que estava sendo queimado e não o Grã-Mestre da Ordem dos Templários, e
fala-se que, nas suas últimas palavras, estabeleceu um prazo de 45 dias ao Papa
e de um ano ao Rei para comparecerem ante o Tribunal de Deus. Em 20 de abril de
1314, quase 2 meses depois, em Roquemaure, o Papa Clemente V morria vítima de
uma infeção intestinal e, no mesmo ano, em 29 de novembro, depois de oito
meses, em Fontainebleau, O Rei morria de paralisia provocada por uma queda de
cavalo. Curiosamente, conforme relata Louis Charpentier em seu livro Os mistérios
Templários, base importante desse trabalho, Nogaret, assessor legal do Rei, e
que dirigiu o processo contra a Ordem, morria misterio- samente em 1314 e quatro
"delatores", que participaram do processo desde seu início, também
morriam, apunhalados ou enforcados. O destino vira as costas para a França.
Inicia-se a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, com muitas derrotas
militares que deixam o país arrasado e a fome toma conta do povo francês.
Entre 1348 e 1350, a Grande Peste, ou a Peste Negra, dizima uma parte importante
da população. Muitas lendas surgiram após a morte de Jacques de Molay, incluída
aquela que o cavaleiro D’Aumont e mais sete Templários tinham recolhido as
cinzas do Grão-Mestre e fugido, disfarçados de pedreiros, até a Escócia.
Nesse país, favorecidos pelas antigas relações da Ordem, tinham organizado
uma Loja com dois Capítulos: um Exterior, para difundir o ideal religioso e
social dos Templários, de forma que fosse acessível ao povo, e outro Interior,
para vingar a Ordem da perseguição do Rei e do Papa, incluindo na vingança os
Hospitaleiros e os Cavaleiros de Malta, beneficiados com a distribuição dos
bens dos Templários. Segundo alguns autores, esta Ordem seria a origem dos
Altos Graus Escoceses Maçônicos, se bem, é certo, não existe prova histórica
desta afirmação. Na segunda metade do século XVII, as sociedades secretas
multiplicaram-se na Europa. Inúmeras personagens circulavam pelo continente em
serviços secretos, sendo um deles o famoso e misterioso José Balsamo, que
fazia-se chamar Conde de Cagliostro. Quando Cagliostro foi iniciado na seita Os
Iluminados, em Frankfurt, foi-lhe confiado um velho manuscrito chamado
"Nossos Grandes Mestres os Templários". O mesmo Cagliostro tinha um
signo secreto com as iniciais L P D (Liberdade Povo Dever), mas que tinha um
significado oculto que lembrava a vingança ditada cinco séculos atrás contra
os herdeiros de Filipe o Belo: Lilia Pedibus Destrue (Destruir a Flor de Lys).
A Maçonaria, continuadora da tríplice missão Templária, tem muito que fazer
na reconstrução de um mundo ideal
Na Revolução Francesa também aparece a marca dos Templários. Discute-se que
os nomes de Jacobinos deva-se a Jacques de Molay (Jacobus Molay) e não, como é
conhecido comumente, homenagem ao pretendente Stuardo, ou a Igreja dos antigos
religiosos jacobitas ou, as idéias sustentadas por J. J. Rousseau. Os Jacobinos
denominaram sua Assembléia como Capítulos, usava-se três iniciais misteriosas
J B M, que se prestavam as inúmeras interpretações, sendo que os seguidores
Templários diziam que correspondiam às iniciais Jacobus Burgundus de Molay.
Mais uma coincidência: a Assembléia tinha designado o Palácio de Luxemburgo
como residência da família real, mas os jacobinos exigiram que o Rei ficasse
prisioneiro no Templo, a fortaleza dos antigos cavaleiros templários.
A lenda fala de um homem de alta estatura e de longas barbas, perseguia e matava
religiosos durante a Revolução gritando: "Esta é pelos Templários".
O mesmo homem que subiu ao palanque da execução de Louis XVI e molhando as mãos
no sangue do monarca guilhotinado agitou-as sobre o povo gritando: "Povo
francês, eu te batizo em nome de Jacques e da Liberdade"; segundo outros
haveria gritado: "Jacques de Molay, estás vingado".
Mas tanta violência por parte dos seguidores dos Templários, acabou, para a
mentalidade do povo daquela época, convertendo em mártires ao Rei e ao Papa.
Daí a necessidade de estudar e divulgar a verdadeira história dos Templários,
nossos ascendentes, seus Mistérios, sua Missão, para que a verdade resplandeça
com todo o seu brilho e que a vida e o sacrifício de Jacques de Molay perdure
como um exemplo de fidelidade aos princípios.
Acabamos de recordar a vida, paixão e morte dos Cavaleiros Templários. Sete séculos
e meio transcorreram e o mundo em muita coisa mudou, mas sabemos que sempre
existirá a injustiça, a fome, o fanatismo, a ignorância. A Maçonaria,
continuadora da tríplice missão templária, tem muito que fazer ainda na
reconstrução do Templo ideal de um mundo melhor. Levantemos nossos emblemas e
nossas espadas flamejantes e vamos em frente, sem nada temer, acompanhados da
divisa eterna:
"Non Nobis Domine. Non Nobis, sed Nomini Tuo da Gloriam".
Bibliografia
: Os Tribunais Secretos, Paulo Féval, Edição 1874, Lisboa, Tradução de
Manuel Pinheiros Chagas; Os Mistérios Templários, Louis Charpentier, Edição
1978, Rio de Janeiro, Tradução de Rolando Roque da Silva; Enciclopédia
Mirador, Revista A Verdade - março de 1992, setembro e outubro de 1987;
Revistas Maçônicas do Chile - março 1941, novembro e dezembro 1968, setembro
e outubro 1971, outubro 1965; Histórias das Sociedades, Rubim Santos Leão de
Aquino, Denise de Azevedo Franco, Oscar Guilherme Pahl Campos Lopes, Edição
1987, Rio de Janeiro; História del Trabajo - Tomo II, Philipe Wolf e Frderic
Mauro, Edição 1965, Barcelona.
O Julgamento dos Templários
A Ordem não foi extinta, continuando com sua existência jurídica aqui no
Brasil
Em 1300, a Ordem dos Templários estava em seu apogeu, no que concerne a poderio
econômico e temporal. Reinava em França, de 1285 à 1314, Felipe IV, chamado
de "Felipe, o Belo", indivíduo inescrupuloso e amoral.
Vagando na Cátedra de São Pedro, Felipe usou toda a sua influência,
conseguindo a eleição de seu protegido - Beltrand de Goth - que assumiu o nome
de Clemente V. Com um Papa que era títere e a sede do papado em Avignon, (França)
o Rei multiplicara seus poderes.
As riquezas da Ordem exerceram seu inquestionável fascínio em Felipe, que
engendrou um plano para apossar-se dos haveres dos Templários. De inopino,
Felipe, no dia 13 de outubro de 1307, mandou prender todos os Templários que se
encontrassem em França: só em Paris foram presos cento e quarenta Cavaleiros.
No dia 22 de novembro, Felipe consegue, do Papa, ordem de prisão para todos os
Templários, de todos os países. Os Templários presos foram imediatamente
submetidos a torturas; de 19 de outubro a 24 de novembro, cento e trinta e oito
Cavaleiros foram torturados impiedosamente.
O historiador Marcel Lobet, escreve, em sua Historie Mystérieuse et Tragique
des Templiers, à pag. 172: "a tortura foi empregada durante os interrogatórios
e isso virá a ter grande importância para o que se seguirá. Com efeito, tendo
os acusados confessado durante os tormentos, não ousaram, mais tarde,
retrata-se pois, segundo o espírito da Idade Média, era gravíssimo negar uma
culpa precedentemente confessada".
Sim, porque quem assim era considerado reincidente, pois, perseverare
diabolicum... Em 1314, o Grão-Mestre Jacques de Molay e o Preceptor da
Normandia, Geoffroy de Charnay são queimados, na Ilhota dos Judeus, no Rio
Sena, em Paris.
Há um erro, que a maioria das Enciclopédias comete, já que uma copia a outra,
sem se dar ao trabalho de realizar pesquisa histórica. O Papa não podia
extinguir a Ordem das Templários. Não poderia, com uma Bula, extinguir uma
pessoa jurídica de Direito Privado. Daí, fê-lo de forma indireta, ou seja,
decretando a interdição aos cristãos e a excomunhão dos Templários, através
da Bula Vox Clamantis. Assim, o interdito implicava, para os cristãos, a proibição
de participar da Ordem e, àqueles que dela faziam parte, a excomunhão. Dessa
forma, no mundo cristão, indiretamente, estaria a Ordem extinta; não pela
Bula, que não tinha esse alcance, mas pelo esvaziamento do elemento humano.
O Eminente Desembargador Antonio Carlos Alves Braga do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, e Professor Titular de Direito Civil da Faculdade de
Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em magistral trabalho
apresentado na Primeira Convenção Nacional de Estudos Templários, analisou
profundamente, sob o ponto de vista jurídico, a Bula Vox Clamantis. Diz Sua
Excelência; "O Papa Clemente V reconhece na Bula, que não pode, de
direito, extinguir a Ordem. Impõe, contudo, a interdição. Diz a Bula;
"Cum eam super hoc secundum inquisitionem etprocesses super his habitos non
possumos ferre de jure sed per viam provisionis seu ordinations
apostolicae". Omissis, isto é, "A Bula, pois, deitou sobre os membros
da comunidade Templária, pena de censura, atingindo individualmente seus
integrantes que houvessem cometido algum atentado contra a Fé. Nada mais. Pena
de censura não tem força extintiva".
E, continua Sua Excelência; "Ora, a existência jurídica da ordem dos
Templários nada tem com o poder espiritual do Papa. Ele podia - e o fez - punir
com a interdição e excomunhão seus membros, sem afetar em nada a estrutura
jurídica da entidade". "Seguindo-se esse raciocínio, fácil é
concluir que erram aqueles que afirmam ter sido a Ordem dos Templários extinta
pela Bula do Papa. Ela nunca foi extinta, embora recaísse sobre seus membros a
pena de censura deitada pelo Pontifíce".
E não poderia ser outro o raciocínio lógico-jurídico: a Ordem surgiu
soberana e independente, não sendo vinculada hierarquicamente a Igreja de Roma,
ou a ela subordinada. Através de ato arbitrário, teve seus bens confiscados,
mas tal ato não implicou sua extinção, posto subsistir ela independentemente
de seu patrimônio. Tanto é verdade que, em 1478, assumiu o cargo de Grão-Mestre
da Ordem dos Templários, Roberto de Lenoncourt, Arcebispo de Rheims. Inaceitável
pensar-se que uma das mais importantes cidades francesas, aceitasse o cargo
supremo de uma Ordem extinta.
Inúmeras outras personalidades ocuparam o Grão Mestrado. O Comandante da
Armada que trouxe ao Brasil, em 1808, a Família Real portuguesa, o almirante
inglês, Sir Sidney Smith, era, à época, o Grão-Mestre da Ordem do Templo.
Portanto, a Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém, conhecida como
Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, não foi e não está extinta,
continuando com sua existência jurídica no Brasil e sendo reconhecida em vários
países. Non nobis Domine non nobis sed Nomini Tuo ad gloriam!
A
Inquisição
A Inquisição era um Tribunal Eclesiástico, também chamado de "Tribunal
do Santo Ofício", criado para combater as heresias cometidas pelos cristãos
confessos, e pôr muçulmanos vindos do Oriente. A inquisição ou Tribunal do
Santo Ofício foi iniciada em Verona sob o Papa Lúcio III no ano de 1184,
inspirado em escritos de Santo Agostinho, fortaleceu-se sob o Papa Inocêncio
III (1198-1216) e o Concílio de Latrão (1215), de 1231 a 1234 Gregório IX
multiplicou pela Europa os Tribunais de Inquisição, presidido pôr
inquisidores permanentes.
A Inquisição, na visão de um Inquisidor:
Todos os inquisidores devem ser doutores em Teologia, Direito Canônico e também
Direito Civil e os Inquisidores devem ter no mínimo 40 anos de idade ao serem
nomeados, e a autoridade do inquisidor é dada pelo Papa através de uma bula,
as vezes o Papa pode delegar o seu poder de nomear os inquisidores, a um Cardeal
representante,bem como aos superiores e padres provincianos dos dominicanos, e
frades Franciscanos, (foram os papas Inocencio IV e Alexandre IV, que deram esse
poder aos superiores e padres provincianos de suas respectivas ordens "
Licet ex Omnibu" e " Olim Praesentiens".
O Inquisidor não pode nomear um escrivão, pois será assistido pelo escrivão
público das dioceses, somente em 1561 e que os Papas puderam nomear o escrivão.
No ponto de vista da Inquisição são Heréticos.
Juridicamente :
a) Os Excomungados;
b) Os Simoníacos;
c) Que se opuser a igreja de Roma e contestar a autoridade que ela recebeu de
Deus;
d) Quem cometer erros na interpretação das sagradas escrituras;
e) Quem criar uma nova seita ou aderir a uma seita já existente;
f) Quem não aceitar a doutrina Romana no que se refere aos sacramentos;
g) Quem tiver opinião diferente da igreja de Roma sobre um ou vários artigos
de Fé;
h) Quem duvidar da fé Cristã:
A Inquisição e suas Torturas
A Inquisição, usava como método de obtenção de confissão a tortura, usada
em alguns casos ao extremo, levando o torturado à morte; segundo Enry Thomas,
grande historiador norte-americano, poderia ser escrito um livro somente sobre
as torturas empregadas pela inquisição, embora pouco agradável. Vamos colocar
apenas quatro;
Primeiro havia o "Strappado" Vacandard, o moderno apologista da
inquisição, descreveu-o como se segue :
" O prisioneiro com as mãos amarradas para trás, era levantado pôr uma
corda que passava pôr uma roldana, e guindado até o alto do patíbulo ou do
teto da camera de tortura, em seguida, deixava-se cair o indivíduo e travava-se
o aparelho ao chegar o seu corpo a poucas polegadas do solo. Repetia-se isso várias
vezes. Os cruéis carrascos, as vezes amarravam pesos nos pés das vítimas, a
fim de aumentar o choque da queda."
"Depois havia a tortura pelo fogo. Colocavam-se os pés da vítima sobre
carvão em brasa e espalhava-se pôr cima uma camada de graxa, a fim de que este
combustível estalasse ao contato com o fogo. Os Inquisidores estavam ali
enquanto o fogo martirizava a vítima, e incitavam-na, piedosamente, a aceitar
os ensinamentos da Igreja em cujo nome ela estava sendo tratada tão
delicadamente e tão misericordiosamente. Para que houvesse um contraste com a
tortura pelo fogo, também praticavam a da água."
"Amarrando as mãos e os pés do prisioneiro com uma corda trancada que lhe
penetrava nas carnes e nos tendões, abriam a boca da vítima a força
despejando dentro dela água até que chegasse o ponto de sufocação ou confissão."
Em suma, todas as imaginações bárbaras do espírito de Dante, quando escreveu
o Inferno, foram incorporadas em máquinas reais que cauterizavam as carnes,
esticavam os corpos e quebravam os ossos de todos aqueles que recusavam crer na
branda misericordiosa dos Inquisidores. E agora citemos mais uma vez o Sr.
Vacandard : " De acordo com a lei, tortura só podia ser infligida uma vez,
mas essa regulamentação era burlada facilmente...quando desejavam fazer
repetir a tortura, mesmo depois de um intervalo de alguns dias, infringiam a
lei, não alegando que fosse uma repetição, mas simplesmente uma continuação
da primeira tortura.... Esse jogo de palavras dava margem a crueldade e ao zelo
desenfreado dos inquisidores."